Apocalipse

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Apocalipse 3

O tempo está próximo

1 - 6 Vestes Brancas 7 - 13 Guarda o que tens 14 - 22 Eis que estou à porta e bato

1 - 6 Vestes Brancas

1 E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas: Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. 2 Sê vigilante e confirma o restante que estava para morrer, porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus. 3 Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei. 4 Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes e comigo andarão de branco, porquanto são dignas disso. 5 O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos. 6 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

V1. Na história da igreja, os períodos representados em Éfeso, Esmirna, Pérgamo e Tiatira se seguem um ao outro. E a igreja seguinte assume o lugar da anterior. Éfeso desaparece e Esmirna aparece, e assim por diante. Com Sardes essa tendência não continua. Sardes não substitui Tiatira, mas surge dela, enquanto Tiatira continua existindo. Por isso podemos ver que até hoje o Catolicismo e o Protestantismo coexistem.

Como foi dito, Sardes surge de Tiatira. Isso aconteceu na história da igreja no século 16. Naquela época, pela graça de Deus, surgiu uma Reforma, para a qual Deus usou principalmente Lutero e depois também Calvino e outros. Deus abriu os olhos desses homens para os erros do Catolicismo Romano. O objetivo original da Reforma era reformar a igreja católica romana, mas por causa da rejeição dos líderes católicos ela se tornou um movimento totalmente novo.

O que começou como uma obra do Espírito de Deus, tornou-se cada vez mais uma obra de homens. Da frescura da Reforma restou pouco. O que saiu da igreja católica hoje chamamos de Protestantismo. Seu representante mais importante na Holanda é, oficialmente desde 1º de maio de 2004, a Igreja Protestante da Holanda. A ligação entre Igreja e Estado se expressa nesse nome, assim como no nome Igreja Reformada Holandesa. Esse fenômeno também pode ser visto em outros países. Assim existe a Igreja Estatal da Inglaterra (Church of England) e na Alemanha as Igrejas Estaduais Evangélicas.

Por toda parte surgiram igrejas nacionais. Todas essas igrejas tinham sua própria organização nacional. No Protestantismo as igrejas foram tornadas dependentes dos governos dos países. Aqui vemos a ligação com o mundo, muito parecida com a de Pérgamo. Mas há diferenças. Em Pérgamo o mundo tinha autoridade sobre toda a igreja. Em Sardes o domínio do mundo – na forma do Estado – sobre a igreja é algo de cada país. Isso está muito longe do pensamento de Deus sobre a igreja, na qual toda distinção de nacionalidade desapareceu por completo (Col 3:11).

Por a igreja ter se unido ao Estado e ter se colocado sob a proteção do Estado, ela se afastou do modelo bíblico. No Protestantismo confessa-se verdades bíblicas, mas elas são preenchidas de conteúdo de forma puramente mundana. A igreja finge que vive, gosta de ter esse nome, mas o Senhor Jesus diz dela que está morta. Será que agora tudo está sem esperança?

Não, felizmente não. Quando você vê como o Senhor Jesus se apresenta a essa igreja, disso irradia esperança para todos os que se encontram numa situação como essa. Ele tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas. Com isso Ele garante aos fiéis em Sardes que a verdadeira fonte de vida e poder está nEle; essa fonte nunca secará. O mundo pode ter entrado onde o Espírito de Deus deveria reinar, mas isso não muda nada quanto à plenitude do Espírito que Ele possui (da qual o número sete fala). Ele também não abre mão do Seu direito sobre as igrejas como portadoras da luz (o que é representado pelas sete estrelas).

Cada vez que até aqui Ele se apresentou às igrejas, disse: “Eu conheço...” E então mencionou algo que podia reconhecer naquela igreja. Também em Sardes Ele começa com “Eu conheço”, mas em vez de reconhecimento vem reprovação. A reprovação diz respeito à aparência de vida que a igreja professava ter, quando na realidade não havia vida, mas a morte reinava ali.

A vida foi desaparecendo lentamente da Reforma e se tornou o que hoje conhecemos como Protestantismo. O culto se tornou cada vez mais uma confissão conduzida organizacionalmente. Pouquíssimos tinham vida de Deus. A maioria se voltou para a nova doutrina seguindo seus líderes espirituais, sem exercício pessoal de consciência.

Não se pode dizer diretamente que havia falsa doutrina. A confissão era ortodoxa. Era porém uma forma morta, na qual faltava vida. Também hoje há muitas pessoas que confessam Cristo, mas são relativamente poucas as que vivem com Cristo.

V2. Embora a morte reinasse de forma geral, ainda havia almas às quais o Senhor podia falar. Se ouvissem, haveria esperança para elas. A exortação é: “Sê vigilante e fortalece o restante”. Os crentes adormecidos em Sardes precisavam ser despertados e voltar ao seu posto de sentinela. Deviam se conscientizar novamente de que não se pode misturar igreja e mundo. Por causa da doença mortal do sono dos crentes, o mundo entrou na igreja. Isso precisava mudar. A obediência ao chamado faria isso acontecer.

Se a exortação fosse ouvida, isso impediria que os poucos fiéis, “o remanescente”, no qual ainda havia uma centelha de vida, também desanimassem. A situação era extremamente crítica. O Senhor Jesus teve que dizer que as obras da igreja em Sardes não atendiam às exigências de Deus. Na história da igreja encontramos isso no Protestantismo, que surgiu do Catolicismo Romano. Muitas coisas que existiam na igreja romana foram adotadas pelo Protestantismo.

Assim, no que diz respeito à estrutura da igreja, não houve retorno à Palavra de Deus; em vez disso, adotaram-se elementos da igreja romana. Embora quisessem voltar à “doutrina pura”, por causa da mistura com o mundo ficou só na doutrina, pois a prática respirava o espírito do mundo. Assim como no Catolicismo Romano, também no Protestantismo não havia uma expectativa viva da vinda do Senhor. Ao mesmo tempo, instituições eclesiásticas continuaram determinando a igreja. Por isso, na prática, não se deu espaço ao Espírito de Deus para dirigir a igreja.

V3. Em seguida vem a exortação: “Lembra-te, pois”. Eles são lembrados do momento em que ouviram e receberam o evangelho e receberam o patrimônio da fé (da Reforma) como um tesouro permanente. Isso se refere à redescoberta da Escritura e ao caminho da salvação, obtida pela fé sem obras da lei. Quando nos desviamos, somos sempre lembrados da Palavra imutável de Deus e da autoridade inabalável do próprio Deus. Isso vale também para a sua vida pessoal de fé. Se você se desviou nisso, se a fé já não é tão viva para você, lembre-se do momento em que ouviu e aceitou o evangelho. Isso vai te levar a voltar do seu desvio.

Se não houver vigilância, se não se conta com a vinda do Senhor, essa vinda acontecerá de forma tão inesperada e indesejada como a vinda de um ladrão (cf. Mat 24:43,44; 1Tes 5:2,4; 2Ped 3:10). Para tais pessoas Ele virá como para o mundo. O Protestantismo colocou-se sob a proteção do mundo. Uniu-se ao mundo, perseguiu os interesses do mundo e buscou o reconhecimento do mundo. Por isso a cristandade também compartilhará o destino do mundo e será julgada junto com o mundo.

V4. Felizmente o Senhor descobriu alguns em Sardes que permaneceram fiéis. Eles não só criam na doutrina correta, mas também viviam em separação sincera do mundo, com os olhos voltados para o Senhor. Eles não contaminaram suas vestes. Isso significa que se guardaram pessoalmente puros das muitas contaminações que caracterizam o Protestantismo (p. ex. crítica bíblica e modernismo).

O Senhor valoriza isso de maneira especial. Assim como na terra andaram diante dEle em pureza, assim no futuro poderão andar com Ele em vestes brancas. O Senhor enfatiza o quanto valoriza essa separação em Sardes, dizendo que eles “são dignos”. Essa expressão é especial porque neste livro só é usada em relação a Deus (Apo 4:11) e em relação ao Cordeiro (Apo 5:9,12).

V5. É parte dos vencedores serem vestidos com vestes brancas. Isso significa que a pureza que possuíam na terra os marcará para sempre. Uma recompensa adicional está ligada aos seus nomes. O Senhor conhece cada vencedor pelo nome. Na terra seus nomes podem ser removidos dos registros da igreja, porque não seguem o curso da igreja. Mas podem saber que existe um registro que o Senhor mantém e no qual seus nomes estão escritos com tinta indelével. Esse livro é o Livro dos Eleitos de Deus (Apo 13:8; 17:8; 20:15; 21:27; cf. Dan 12:1; Luc 10:20; Flp 4:3). Como consolo adicional o Senhor acrescenta que por causa da fidelidade deles a Ele, confessará os seus nomes diante de Seu Pai e diante dos Seus anjos (Luc 9:26; 12:8).

V6. Também aqui a exortação a cada crente para ouvir o que o Espírito diz às igrejas não pode mais ser dirigida ao todo. Você viu que o todo está morto, mas também que se diz para vigiar e que existe “o remanescente”. Por isso a exortação “Quem tem ouvidos” vem depois da promessa para os vencedores. Se houver entre eles alguém que tem ouvidos e ouve, levará a mensagem a sério e poderá receber a recompensa pela vitória.

Leia novamente Apocalipse 3:1–6.

Pergunta ou tarefa: Como você faz para que suas vestes permaneçam brancas?

7 - 13 Guarda o que tens

7 E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve: Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro, o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre: 8 Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. 9 Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás (aos que se dizem judeus e não são, mas mentem), eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo. 10 Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. 11 Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. 12 A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome. 13 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

V7. A carta a Filadélfia, assim como a de Esmirna, não contém nenhuma repreensão. O Senhor menciona apenas coisas dignas de louvor e encoraja a continuar no mesmo caminho. O nome Filadélfia significa “amor fraternal”. Filadélfia era uma igreja onde havia amor mútuo. Esse amor fluía do amor ao Senhor e à Sua Palavra. Ao mesmo tempo, o amor mútuo formava a atmosfera correta, na qual o amor ao Senhor e à Sua Palavra podia se expressar.

Filadélfia surgiu de Sardes. Aqueles que em Sardes tinham uma fé viva em Cristo fugiram da frieza espiritual. O Espírito de Deus operou um novo movimento, que se entregou totalmente ao Senhor e à Sua Palavra. A vida dos crentes era determinada por um relacionamento pessoal e vivo com Cristo. Ele era tudo para eles. Isso vemos acontecer na história da igreja no século 19.

O Senhor Jesus se apresenta a essa igreja com características que você não viu no capítulo 1. Aqui Ele fala como o “Santo”, porque eles tinham se santificado do mal. O mal em Sardes era a aparência de vida. Ele também fala como o “Verdadeiro”, porque isso também combinava com eles. Eles queriam seguir seu caminho com sinceridade e fidelidade, de acordo com a verdade que havia dentro deles. Era isso que Ele buscava, e Ele viu isso ali (Slm 51:6).

Ele também tem “a chave de Davi”. Ele é o verdadeiro Davi (Isa 22:22) e o Único que tem acesso a todas as promessas feitas a Davi e tem direito a todas elas. Quem tem a chave tem o poder de abrir e fechar (Jó 12:14).

V8. O Senhor conhece as suas obras. Não é dito quais obras são. Para o mundo e para a cristandade não serão obras impressionantes, mas o Senhor as conhece e sabe valorizá-las. Ele lhes mostra que deu a eles uma porta aberta. O pequeno remanescente fraco recebe do Senhor uma porta aberta, um caminho acessível, sem que ninguém possa impedir (Col 4:3; 1Cor 16:9). É uma porta para os tesouros, para o conhecimento da Palavra de Deus e dos Seus mistérios e para a cidade de Deus.

Talvez você esteja numa situação parecida com Sardes. Ao seu redor há pessoas que se chamam cristãs, mas que o são apenas de nome. Elas têm uma confissão, mas não têm vida. Se você tem sede de vida, Ele abrirá uma porta diante de você, onde então Ele e a Sua Palavra serão tudo. Ele vai te colocar em contato com outros que também têm esse desejo. Peça isso a Ele, e Ele vai te mostrar o caminho. Esse caminho você encontra na Sua Palavra, que Ele vai abrir com a Sua chave, para que você veja nela a Sua beleza e se alegre nela.

Ele sabe que você, assim como foi dito da igreja de Filadélfia, tem “pouca força”. Isso significa: Ele sabe que você depende dEle. Filadélfia e todo crente e toda igreja, todos os que querem ser assim, não falam de si mesmos no mundo. A força deles e também a sua está no Senhor e em guardar a Sua Palavra. Com Sua Palavra se refere à Bíblia, mas como a Palavra que Ele falou. Há um poder espiritual enorme quando você lê a Bíblia como as palavras do Salvador, a quem você ama e que te ama. Você valoriza essa Palavra porque foi Ele quem a falou e ela fala dEle. É dEle que se trata, você O tem, e isso te basta.

O Senhor ainda faz mais um reconhecimento: “Não negaram o meu nome”. O nome dEle significava tudo para eles. A isso eles se apegaram firmemente. E com você é assim? Ao Seu nome você deve a sua salvação (Atos 4:12), em Seu nome você pode se reunir com outros crentes como igreja (Mat 18:20). Você não quer nenhum outro nome, você o rejeita, pois isso significaria negar o nome dEle.

V9. O remanescente estava sob grande pressão da parte da massa da cristandade professante. Quem não andava com as igrejas estabelecidas era classificado por elas como uma seita perigosa. Mas o Senhor as chama de “sinagoga de Satanás”. Onde Ele não é o centro e onde a Sua Palavra não é obedecida, ali as pessoas se tornam presa de Satanás. Eles afirmam ser judeus, isso significa que se apresentam como o verdadeiro povo de Deus. Isso pode ser aplicado a pessoas que com a boca afirmam ser verdadeiros cristãos e reivindicam para si tudo o que Deus prometeu aos verdadeiros cristãos. A cristandade está cheia disso.

Para encorajar, o Senhor acrescenta que fará os falsos confessores reconhecerem que Ele amou esse pequeno remanescente fraco. Ele justificará os crentes fiéis um dia diante dos falsos cristãos, dos cristãos só de nome. Todos os que indevidamente se enfeitaram com o Seu nome, Ele vai expor. Os falsos confessores serão forçados a reconhecer que os crentes por eles desprezados são os que o Senhor amou.

V10. O Senhor ainda tem mais encorajamentos. Ele os elogia por terem “guardado a palavra da Minha paciência”. Com isso o Senhor se refere ao que Ele disse, ou seja, que viria em breve. Ele espera com paciência o arrebatamento da Sua noiva. Essa palavra encontrou eco no coração deles: eles também O esperam. Isso também significa que Ele ainda não está reinando. Ele ainda espera pacientemente pelo Seu Reino, e nós também devemos fazer isso (2Tes 3:5).

Por eles esperarem tão firmemente pela Sua vinda, o Senhor lhes promete que fará com que não passem pelos juízos que em breve virão sobre a terra. Ele levará a Sua igreja para Si antes da “hora da tentação”. A segunda metade da hora da tentação é o tempo da grande aflição (Mat 24:21; Jer 30:7,11; 2Tes 2:9,10). A área sobre a qual essa hora da provação virá é o mundo inteiro. As pessoas que serão afetadas por isso são as “que habitam na terra”. São pessoas que fizeram da terra a sua casa e se estabeleceram nela, como se fosse o seu lugar definitivo. Deus e Seus direitos e a eternidade estão completamente fora do campo de visão delas (Slm 17:14).

V11. Como encorajamento adicional, o Senhor lhes promete que virá em breve. Porém Ele as exorta a “guardar o que tem”. O que elas tinham não era muito. Mas essa exortação era necessária para que não perdessem o que tinham: um amor sincero pelo Senhor e uns pelos outros. Se esse amor for abandonado, surge a mornidão de Laodicéia. Veremos isso na carta seguinte e última. Para você também é importante levar essa exortação a sério. Não perca o seu amor sincero pelo Senhor! Há uma coroa para a sua dedicação ao Senhor e o seu afeto por Ele. A coroa é o reconhecimento visível do Senhor, para todos, pelo seu amor a Ele. Ele vai te ornar e honrar com ela.

V12. Embora a igreja de Filadélfia não seja repreendida e não haja um chamado ao arrependimento, ainda assim se fala em vencer. Vencedores são aqueles que não apenas saíram de Sardes e se tornaram Filadélfia, mas que também se apegam a isso de todo o coração. A carta seguinte mostra que é possível que o amor sincero pelo Senhor Jesus esfrie.

Ao que vencer, o Senhor o fará coluna no templo do Meu Deus. Isso está em contraste total com a posição que eles tinham na terra. Lá eles eram considerados insignificantes e até taxados como um obstáculo, porque atrapalhavam o crescimento da igreja. Na ressurreição, porém, se verá que eles são colunas nas quais a casa de Deus repousa (cf. Gál 2:9). Uma coluna é um símbolo de força. Aqueles que justamente em sua fraqueza mostraram tanta força espiritual, serão colunas pela eternidade. Não se fala em fracasso.

São os vencedores de Filadélfia que fazem da casa de Deus uma casa espiritual. Nessa casa são oferecidos sacrifícios espirituais e os filhos adoram o Pai. Ali os sacerdotes se aproximam de Deus; eles sabem o que é digno dEle e o que Lhe pertence. Quem vive assim hoje, poderá exercer um serviço especial na ressurreição.

Mas a promessa para o vencedor vai ainda mais longe. Sobre ele o Senhor Jesus escreverá o nome da cidade do Meu Deus. Na terra o crente em Filadélfia não tinha uma cidade permanente, mas buscava a cidade futura (Heb 13:14). A ela ele estará ligado pela eternidade, e isso também será visto nele. Essa cidade é a Nova Jerusalém, que é a igreja. No final do livro de Apocalipse você vê a Nova Jerusalém descendo do céu (Apo 21:2), mas aqui ao vencedor essa cena já é antecipada. Por fim o Senhor diz que também escreverá sobre o vencedor o Seu novo nome. Esse é o nome que Ele tem agora na glória (Apo 19:12; Flp 2:9; Heb 1:4).

Todas essas coisas não são um incentivo para você? Para que não se volte para as coisas terrenas, mas anseie pelas coisas celestiais? Você não quer, por amor ao Senhor Jesus, se afastar de todo sistema religioso da terra? E se unir à cidade que está no céu, a igreja em seu caráter celestial? Então o Senhor Jesus vai te recompensar em breve de uma forma bem pessoal. Você vê isso pelo fato de Ele usar cinco vezes a palavra “Meu”. Quatro vezes Ele enfatiza com isso o Seu relacionamento bem pessoal com Deus e uma vez o Seu relacionamento bem pessoal com cada crente que em Filadélfia é vencedor (cf. Joã 20:17; Heb 2:11-13).

V13. É de se temer que em Filadélfia, onde você talvez se encontre, o amor ardente esteja se apagando. Então é justamente aí que importa que você tenha um ouvido para ouvir. Por isso, no final desta carta, a pergunta se coloca para você de forma bem pessoal: Você tem ouvido para ouvir o que o Espírito diz às igrejas?

Leia novamente Apocalipse 3:7–13

Pergunta ou tarefa: O que você pode fazer para guardar o que você tem?

14 - 22 Eis que estou à porta e bato

14 E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus. 15 Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente! 16 Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. 17 Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta (e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu), 18 aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças, e vestes brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os olhos com colírio, para que vejas. 19 Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te. 20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo. 21 Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono. 22 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.

V14. Você viu que Sardes surgiu de Tiatira e Filadélfia surgiu de Sardes. Esse desenvolvimento continua em Laodicéia, pois Laodicéia surge de Filadélfia. Na história da igreja, Laodicéia representa movimentos e igrejas que, embora tenham surgido por avivamentos no século 19 e estivessem enraizados numa obra do Espírito de Deus, suas raízes secaram. Laodicéia se orgulha da sua herança espiritual, mas não tem ligação com o Herdeiro. Eles se orgulham da herança espiritual, mas não há ligação com Aquele que deu a herança.

Em Laodicéia você vê o que acontece quando a luz que Deus deu em Filadélfia se apaga. Ou melhor dizendo: quando o calor do amor pelo Senhor Jesus diminui e surge a mornidão. Essa mornidão o Senhor Jesus reprova no anjo da igreja em Laodicéia versos 15 e 16. A igreja se gabava de riquezas espirituais, enquanto não havia lugar para o Senhor Jesus. Ele estava do lado de fora. A diferença entre Filadélfia e Laodicéia foi descrita certa vez de forma muito acertada: Filadélfia não tinha nada, a não ser o Senhor; Laodicéia tinha tudo, menos o Senhor.

O Senhor não se apresenta a Laodicéia com uma de Suas características de julgamento do capítulo 1. As características que Ele tem aqui mostram o contraste entre o que a igreja se tornou e o que Ele permaneceu. Ele é o padrão para o que a igreja deveria ser. Com isso Ele coloca a igreja sob a luz e mostra o seu desvio. Ele se apresenta como “o Amém”, porque não se espera mais nenhuma nova fase na história da igreja. O próximo evento para a igreja é o arrebatamento dos crentes. “Amém” também significa que Cristo terá a última palavra (2Cor 1:20).

Ele é e continua sendo a testemunha fiel e verdadeira, enquanto a igreja caiu em grande declínio. Ele dá testemunho, com toda a veracidade, sem nenhum engano, dos direitos de Deus. Ao mesmo tempo, assim como Ele é o princípio da primeira criação, Ele também é o princípio da nova criação (2Cor 5:17; Gál 6:15). É assim que se fala dEle na carta aos Colossenses, uma carta que os laodiceanos conheciam (Col 1:18; Col 4:16). A igreja deveria ser na terra a revelação da nova criação. A igreja se desviou disso, mas Cristo permanece o mesmo.

V15. As obras das quais o Senhor fala aqui e que Ele conhece, não são obras que Ele pode elogiar, mas sobre as quais Ele precisa se pronunciar com reprovação. Eles achavam que estavam cheios de boas obras, mas o Senhor olhou mais fundo e viu a sua verdadeira condição. Eles não eram frios como Sardes nem quentes como Filadélfia. Se ao menos fossem uma coisa ou outra! Então teriam se posicionado por algo. É melhor lidar com uma pessoa totalmente descrente que é fanática por algo, do que com alguém que está cheio de si mesmo.

V16. Morno é nojento a ponto de dar vômito. Por isso o Senhor só podia fazer uma coisa com eles: vomitá-los da Sua boca. Ele já estava prestes a fazer isso.

V17. Antes de vomitá-los, Ele deixa claro em que consiste a mornidão deles. Também mostra soluções de como podem mudar sua mornidão, e dá ainda ao indivíduo a possibilidade de se arrepender. A mornidão deles consiste em que eles estão cheios de si mesmos, em vez de estarem cheios de Cristo. A igreja foi deixada aqui para testemunhar de Cristo, mas em vez disso ela testemunha de si mesma. Por aí você reconhece o quão fundo ela caiu. A igreja se torna tudo, e Cristo desaparece. A igreja se torna atraente para si mesma, não Cristo.

Uma pequena ilustração desse desenvolvimento. No prédio de uma igreja na Inglaterra, crentes dedicados penduraram há muitos anos uma placa com o texto: “Only Jesus” (“Só Jesus”). Essas duas palavras expressavam o grande amor deles por Ele. Depois de muitos anos, as letras “Jes” desbotaram, de modo que no cartaz só ficou escrito: “Only ... us” (“Só ... nós”).

A igreja em Laodicéia só se gabava de si mesma. O nome do Senhor tinha se tornado para eles um meio de autopromoção; Ele já não era Aquele a quem pertencia o amor deles. Eles eram ricos, tinham a verdade. Não precisavam de mais ninguém, não lhes faltava nada. Mas não percebiam que eram de modo especial o miserável, etc. O artigo “o” enfatiza que eles eram isso no verdadeiro sentido da palavra. Eram completamente cegos quanto à sua própria situação, quanto a onde estavam espiritualmente. Nem perceberam que o Senhor já não estava com eles, mas estava do lado de fora da porta.

V18. O Senhor recomenda que comprem dEle. Se entregassem a Ele a sua presunção, receberiam dEle ouro em troca. Ouro fala da glória divina em contraste com a glória humana deles, a sua vanglória. Esse ouro está livre de toda impureza, porque foi purificado pelo fogo do juízo. Possuir a glória divina por meio da obra do Senhor Jesus é a verdadeira riqueza do crente.

Quem se confessa cristão, mas está sem Cristo, também não tem vestes brancas, que falam de pureza, com as quais possa estar na presença de Deus. As vestes brancas estão em contraste com as vestes sujas da justiça própria. Mas o cristão só de nome, se se arrepender, pode ser vestido com Cristo (Rom 13:14). Pelo sangue do Cordeiro o crente sabe que é puro e vestido diante de Deus. Todas as suas obras verso 15 não formavam cobertura, assim como as folhas de figueira que Adão e Eva fizeram não podiam cobrir a nudez deles (Gên 3:7,10). Deus lhes deu a cobertura correta com peles de animais (Gên 3:21). Isso significa que um animal teve que ser morto, e isso aponta para a obra do Senhor Jesus.

Só dessa forma se pode receber colírio para os olhos, para poder ver. É a unção com o Espírito Santo (Efé 1:13; 1Joã 2:20), pela qual se pode ter discernimento das coisas de Deus.

V19. O Senhor Jesus, em Seu amor, está ocupado em convencê-los e discipliná-los. Ele quer alcançar todos cujo estado é parecido com o de Laodicéia, também por meio de acontecimentos. Todos os Seus esforços têm o objetivo de que o coração deles volte a bater por Ele e voltem a ter o relacionamento correto com Ele. Ele quer que sejam zelosos em se condenar e se voltar para Ele.

V20. Na Sua graça, Ele ainda está empenhado em alcançar o coração e a consciência deles. Ele busca um lugar no afeto deles. Eis que estou à porta e bato. Isso significa que o Senhor está do lado de fora, e eles nem perceberam que Ele tinha ido embora. Na sua arrogância achavam que Ele estava com eles. Afinal tinham a verdade!

A igreja em sua totalidade se encontra num estado em que será vomitada. Mas o Senhor se dirige ao indivíduo. Se “alguém” ouvir a Sua voz e abrir a porta, a Ele Ele entrará para cear com ele.

Você talvez esteja numa situação como essa? Então não está sem esperança. O Senhor está batendo agora na sua porta. Você ouve a voz dEle? Então abra para Ele, para que Ele possa entrar na sua vida. A entrada dEle significa que Ele participa de tudo o que te ocupa. Ele quer participar de todas as suas provas e exercícios. E Ele vai te fazer participar de tudo o que Ele tem. Isso vai fazer com que você volte a se alegrar em todos os tesouros da sabedoria e da ciência que estão nEle (Col 2:3).

V21. Você pode se tornar um vencedor. Um vencedor em Laodicéia é alguém que, no meio dessa sociedade ruim, abre a porta do coração para o Senhor e O deixa entrar. A isso está ligada uma recompensa: reinar com Ele. Essa não é a maior recompensa nestas sete cartas. Não é uma recompensa tipicamente cristã. Essa recompensa também receberão todos os crentes do Antigo Testamento e também os que vêm da grande tribulação. Mesmo assim é algo grande sentar com o Senhor Jesus no Seu trono.

Ele se identifica com o vencedor em Laodicéia, dizendo que esse vencedor venceu da mesma forma que Ele venceu. O Senhor dá aqui uma prova da Sua grande graça, ao comparar a vitória dos vencedores com a dEle mesmo. Ele mesmo se assentou no trono do Pai, depois de ter realizado toda a obra que o Pai Lhe tinha dado. Esse lugar Lhe pertence por justiça. Isso não é graça, pois Ele conquistou e ocupou esse lugar por causa de quem Ele é e do que fez.

V22. O Senhor Jesus não se cansa de chamar para ouvir. Mas isso tem um fim. Ele faz isso pela sétima e última vez. Você tem ouvidos para ouvir? Então ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Leia novamente Apocalipse 3:14–22.Pergunta ou Tarefa: O Senhor pode entrar em você para cear com você e você com Ele? Como você pode abrir o seu coração para Ele?

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© Tradução bíblica usada: JFAC; publicada em 1848; domínio público

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