Apocalipse

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Apocalipse 11

O tempo está próximo

1 - 8 As duas testemunhas 9 - 19 A sétima trombeta

1 - 8 As duas testemunhas

1 E foi-me dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo e disse: Levanta-te e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram. 2 E deixa o átrio que está fora do templo e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a Cidade Santa por quarenta e dois meses. 3 E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco. 4 Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra. 5 E, se alguém lhes quiser fazer mal, fogo sairá da sua boca e devorará os seus inimigos; e, se alguém lhes quiser fazer mal, importa que assim seja morto. 6 Estas têm poder para fechar o céu, para que não chova nos dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue e para ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes quiserem. 7 E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e as vencerá, e as matará. 8 E jazerá o seu corpo morto na praça da grande cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado.

V1. Embora não seja dito expressamente, parece que este capítulo reproduz o conteúdo do livrinho do capítulo anterior. O local da ação é Jerusalém com o templo de Deus. O templo é chamado “templo de Deus” porque Deus considera os verdadeiros adoradores que se aproximam dEle ali. Na realidade, porém, é o templo do Anticristo (2Tes 2:4), que então estará construído na incredulidade e onde o Anticristo, durante os três anos e meio da grande tribulação, colocará uma imagem da besta que sai do mar (Apo 13:14-15; cf. Mat 24:15). É muito provável que essa imagem seja colocada no átrio do templo e não no próprio templo. O povo também pode entrar no átrio. Por causa da imagem do ídolo que estará ali, o átrio também não será medido.

Este templo será o penúltimo de todos os templos que terão sido construídos na terra ao longo do tempo. No total serão cinco: O templo de Salomão (1Rs 6; foi devastado por Nabucodonosor em 588 a.C.). O templo de Zorobabel (Esd 3; 6; depois foi saqueado por Antíoco Epifânio nos anos 168 e 170 a.C. e dedicado a Júpiter). O templo que Herodes construiu (Joã 2:20; a construção começou em 17 a.C. e foi destruída pelos romanos no ano 70); este templo, aliás, não é um templo totalmente novo, mas a ampliação do templo de Zorobabel. O templo construído para o Anticristo (2Tes 2:4) e finalmente o templo de Cristo (Ezequiel 40–48).

Para completar, lembro que no Novo Testamento também se fala de três templos espirituais: o corpo do Senhor Jesus (Joã 2:21), o corpo do crente (1Cor 6:19) e a Igreja (1Cor 3:16).

Assim como ao comer o livrinho, João também aqui precisa participar ativamente dos acontecimentos. Ele recebe a ordem de se levantar e medir algumas coisas. Para isso lhe é dada uma cana semelhante a uma vara. Esse “medir” acontece para constatar o que pertence a Deus, ou seja, sua propriedade legítima (cf. Slm 16:6; Zac 2:1-5; Apo 21:15-17). O templo pertence a Ele, o altar pertence a Ele, e os que O adoram no templo pertencem a Ele. A cana de medir indica que a fé encontra apoio no pensamento de que Deus, mesmo nos tempos mais sombrios, separa o que é dEle e quem é dEle.

V2. João não deve medir o átrio. Ele deve até expulsá-lo. A razão é que o átrio não pertence a Deus. Ele não tem ligação com isso, pois as nações tiveram acesso a ele, porque o Anticristo fez uma aliança com elas (Dan 9:26-27). Com a cidade santa se refere a Jerusalém. Durante um período de 42 meses (isso são três anos e meio, o tempo da grande tribulação) Jerusalém estará nas mãos desses aliados ímpios. Eles pisarão e profanarão a cidade de tal forma que no (átrio do) templo construído para o Anticristo haverá até uma terrível imagem de idolatria, isto é, uma imagem do governante romano.

V3. Apesar do domínio pagão e apesar da pressão do Anticristo, Deus levantará um poderoso testemunho em Jerusalém. Muitos fugirão da Judeia (região ao redor de Jerusalém) para os montes Mat 24:16, mas na própria cidade haverá um remanescente de adoradores Sof 3:12. No meio deles Deus levantará duas testemunhas, às quais Ele chama de “minhas duas testemunhas”. O número dois é testemunho suficiente (Deu 19:15; 2Cor 13:1). Muitos se converterão por meio do testemunho delas (Dan 12:10). Vestidas de saco andarão pela cidade. O saco é sinal de arrependimento por causa do estado triste em que o povo se encontra (Joel 1:13; Jer 4:8). Ao mesmo tempo isso dá seriedade à mensagem, que é um chamado ao arrependimento. Elas advertirão o povo que entra no templo para adorar a imagem da besta e apontarão para a chegada iminente de Cristo. Vemos também em João Batista que sua roupa correspondia à seriedade da sua pregação (Mat 3:4); ele também acabou pagando sua pregação com a morte (Mat 14:5-10).

O tempo da sua pregação é dado em dias, possivelmente para deixar claro e enfatizar que sua pregação é ouvida todos os dias. Também se indica com isso o quanto cada dia é valioso para Deus, em que na terra é dado um testemunho dEle. Outro pensamento é que esses 1260 dias abrangem novamente o mesmo período da grande tribulação. 1260 dias são três anos e meio. Como o testemunho é dado sob a maior tribulação possível, é contado em dias. O próprio Deus conta os dias de suas testemunhas provadas e perseguidas. Como Ele deu poder às suas duas testemunhas, os inimigos nada podem fazer até que Deus lhes permita.

V4. As testemunhas são comparadas a duas oliveiras e a dois castiçais (ver Zac 4). Como as duas oliveiras mostram o poder completo do Espírito Santo (azeite) e como os dois castiçais espalham na escuridão que então haverá na terra, a luz divina como testemunho. Elas estão diante do Senhor da terra (Slm 24:1), isto é, seu testemunho diz respeito ao Senhor, que está sobre a terra e sobre o mar e que dentro em breve fará valer o seu direito sobre ela.

V5. Enquanto precisarem testemunhar, ninguém poderá lhes fazer mal. Todo ataque os atacantes pagarão com a morte. As testemunhas dispõem do fogo de Deus. Ele sai da sua boca e mata todo aquele que resiste, que quiser prejudicá-las para eliminá-las e fazer calar seu testemunho.

Esse modo de agir deixa claro que será um tempo totalmente diferente do tempo em que vivemos agora. Nós não consumimos nossos adversários que nos querem prejudicar quando testemunhamos do nosso Senhor, pelo contrário, devemos abençoá-los. O Senhor repreende João e Tiago quando propõem fazer cair fogo do céu sobre uma aldeia dos samaritanos, porque Ele não foi bem recebido ali (Luc 9:53-56).

V6. As testemunhas têm ainda mais poder. Quando quiserem, podem fechar o céu, transformar a água em sangue e ferir a terra com todo tipo de pragas. Se você conhece algo da história do Antigo Testamento, especialmente os acontecimentos em que Moisés e Elias tiveram um papel, então você os reconhece nessas duas pragas. Você encontra essas manifestações de poder justamente nesses dois maiores profetas do Antigo Testamento. O poder de fechar o céu você encontra em Elias (1Rei 17:1), e o poder de transformar água em sangue e ferir a terra com todo tipo de pragas você encontra em Moisés (Êxodo 7:14–10:29). Elias testemunhou diante do povo de Deus que havia se desviado. Moisés testemunhou diante do inimigo do povo de Deus, o Egito.

Elias e Moisés são mencionados juntos muitas vezes. Assim você os encontra com o Senhor Jesus no Monte da Transfiguração, onde de certa forma eles têm uma prévia do Reino de Paz (Mat 17:3). Também Malaquias, o último profeta do Antigo Testamento, fala de Moisés e Elias como pessoas que ainda aparecerão nos últimos dias (Mal 4:4-6, cf. Mat 11:14; Mat 17:12-13; Luc 1:17). Não se trata tanto do seu aparecimento em pessoa, mas de um aparecimento em que as marcas do seu ministério se tornam visíveis.

V7. Quando o tempo determinado por Deus para o testemunho delas terminar, elas serão mortas. Assim também aconteceu com o Senhor Jesus, que só foi entregue quando a sua hora chegou, e nenhum dia antes. A besta as matará. Sobre a besta você será informado detalhadamente no capítulo 13.

Pode parecer estranho que a besta queira fazer guerra contra dois homens. Mas há outros exemplos de um exército ter sido enviado para prender um único homem. Elias, por exemplo, foi cercado algumas vezes por um pequeno exército (2Rs 1:9-10), depois Eliseu em Dotã (2Rs 6:11-14) e ainda mais o Senhor Jesus em Getsemani (Mat 26:47). As testemunhas tinham mostrado seu poder, e disso a besta concluiu que tinha a ver com pessoas muito perigosas.

V8. Quando as duas testemunhas forem mortas, seus cadáveres ficarão na rua da grande cidade. Pela descrição “onde também o seu Senhor foi crucificado” fica claro que se trata de Jerusalém. Mas esse nome não é mencionado. Os nomes mencionados deixam claro a decadência espiritual da cidade. Ela se assemelha a Sodoma e Egito. Jerusalém é “Sodoma” por causa da sua corrupção e “Egito” por causa da opressão do povo de Deus. Essa maldade completa teve seu auge na crucificação do Senhor Jesus. As duas testemunhas serão mortas depois de terem dado seu testemunho, e no mesmo lugar onde o seu Senhor deu o seu testemunho e foi morto. Elas compartilham o destino dEle.

Leia novamente Apocalipse 11:1–8.

Pergunta: Por que Deus faz suas duas testemunhas se levantarem?

9 - 19 A sétima trombeta

9 E homens de vários povos, e tribos, e línguas, e nações verão seu corpo morto por três dias e meio, e não permitirão que o seu corpo morto seja posto em sepulcros. 10 E os que habitam na terra se regozijarão sobre eles, e se alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros; porquanto estes dois profetas tinham atormentado os que habitam sobre a terra. 11 E, depois daqueles três dias e meio, o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre os pés, e caiu grande temor sobre os que os viram. 12 E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: Subi cá. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram. 13 E naquela mesma hora houve um grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade, e no terremoto foram mortos sete mil homens; e os demais ficaram muito atemorizados e deram glória ao Deus do céu. 14 É passado o segundo ai; eis que o terceiro ai cedo virá. 15 E tocou o sétimo anjo a trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre. 16 E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seu trono, diante de Deus, prostraram-se sobre seu rosto e adoraram a Deus, 17 dizendo: Graças te damos, Senhor, Deus Todo-poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder e reinaste. 18 E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra. 19 E abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca do seu concerto foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos, e grande saraiva.

V9. As duas testemunhas foram mortas. O sucesso da besta é mostrado ao mundo inteiro. Os cadáveres são mostrados ao mundo inteiro pelos repórteres que chegaram às pressas via internet, TV e satélites. Hoje você consegue imaginar bem como essa notícia será divulgada mundialmente, mostrando também imagens dos “inimigos” abatidos. A mídia de massa, aliás, tem um papel principal na formação do pensamento das pessoas. Você vê hoje uma geração crescendo que não é criada pelos pais, mas pela mídia.

Os cadáveres desses “inimigos da humanidade” não merecem sepultamento. Quem quisesse enterrá-los não recebe permissão (Slm 79:1-3). Ao mesmo tempo os cadáveres ficam como troféu de vitória: uma lembrança da vitória da besta e uma prova do seu poder. Tudo isso serve para a glória do ditador que “livrou” o mundo dessas pessoas. Também sai disso o aviso de que esse será o destino de todos que se opuserem à besta.

V10. Quando esse testemunho incômodo chegar ao fim, a população mundial celebrará uma festa como em um frenesi de vitória. Para celebrar a vitória, enviam presentes uns aos outros (Est 9:19-22). Parabenizam-se pela morte dos profetas miseráveis que tanto os atormentaram. Eles não abriram o coração para a mensagem de Deus que eles proclamavam. A dor sofrida não os levou a Deus. Essa era a intenção de Deus com suas duas testemunhas.

Não é só a massa incrédula em Israel que se alegra com a morte delas. Assim como judeus e gentios rejeitaram juntos o Senhor Jesus, aqui também o mundo inteiro compartilha da alegria diabólica dos judeus apostatados pela morte das testemunhas do Senhor.

V11. A alegria deles, porém, será de curta duração. Depois de três dias e meio eles veem algo que os enche de grande temor. As testemunhas se levantam sobre seus pés! Isso acontece porque o Espírito de Vida vindo de Deus entra nelas. Mas os espectadores não têm ideia disso. Assim como o mundo foi testemunha da morte delas, também é testemunha da sua ressurreição. Com isso terão que reconhecer que Deus é mais forte que seus inimigos.

V12. Quando as duas testemunhas ressuscitam, recebem do céu a ordem de subir para lá. Seu testemunho na vida, na morte e na ressurreição terminou. São chamadas para o céu. Da voz sai um poder tal que elas sobem ao céu numa nuvem. Parece que essa nuvem é o símbolo da presença de Deus. Deus as leva para a sua presença. Elas O glorificaram, e agora Ele as glorifica.

Todos os seus inimigos as observam. A ascensão do Senhor Jesus não foi vista por incrédulos, assim como o arrebatamento da Igreja também não será visto por incrédulos. Na ressurreição e ascensão das duas testemunhas é diferente. Não só é vista, mas observada. Os espectadores percebem esse acontecimento, que consideravam impossível, com espanto. Não podem acreditar no que veem. Porém, embora esse milagre seja inegável e aconteça diante dos seus olhos, não tem efeito sobre a consciência deles diante de Deus.

V13. Não pode restar nada a não ser juízo. Quando as duas testemunhas são recebidas no céu, acontece um grande terremoto. Jerusalém é sacudida por uma mão poderosa, com isso a décima parte da cidade é destruída. Isso custa a vida de 7000 pessoas. Diz-se aqui “homens”. Isso significa que Deus conhece os nomes de todos os que morreram. Ele conhece os nomes dos que se prostraram diante da besta. Ele também conhece os nomes dos 7000 no tempo de Elias, que não dobraram seus joelhos diante de Baal (1Rei 19:18). Deus não conta em números, não se trata de estatísticas para Ele, mas de pessoas.

O temor toma conta dos que restaram, que não foram atingidos pelo juízo, e eles dão glória ao Deus do céu. Isso não significa que se converteram, mas que reconhecem a mão de Deus nesse acontecimento. Quando o Senhor Jesus estava na terra em graça e agia em graça, as pessoas também davam glória a Deus por isso. Mas também ali não se pode falar de uma conversão genuína. Você pode estar convencido racionalmente de que Deus está agindo, sem que sua consciência seja tocada.

V14. Com o cumprimento do segundo “Ai” termina a inserção de (Apocalipse 10:1–11:13). Agora chegamos à sétima e última trombeta de juízo, que também é chamada o terceiro “Ai”. As três últimas trombetas são chamadas “Ai” porque são ainda piores que as quatro primeiras. O primeiro “Ai” vem do poço do abismo (Apo 9:1-12), o segundo “Ai” vem do Eufrates (Apo 9:13-21) e o terceiro “Ai” vem do céu, do próprio Senhor Jesus.

V15. Com o soar da sétima trombeta o Reino se aproxima muito, mas ainda não está totalmente na hora de ser estabelecido. O Reino, porém, já está tão próximo que o céu anuncia que já veio. Assim as vozes no céu o proclamam em alta voz. Ainda precisam acontecer outros juízos. Eles são descritos nos capítulos 15 e 16. São, porém, juízos de curta duração. Esses juízos juntos formam a sétima trombeta.

O Reino, visto assim, é considerado como se já tivesse vindo, é um reino indiviso e se estende sobre o mundo inteiro. Isso só é possível porque o Senhor e o seu Cristo tomam o poder nas mãos. Ele governará com justiça e misericórdia. Quando Ele reinar, esse governo não terá fim enquanto durarem o sol, a lua e a terra (Slm 72:5,7,17). Ele, que reinará de eternidade a eternidade, é o Senhor Deus, e Ele reina na pessoa do seu Cristo, o Filho do Homem, que Ele mesmo também é Deus. Nosso Senhor e o seu Cristo são um e o mesmo Deus e ainda assim duas pessoas. Isso é e continua sendo um mistério da eternidade.

V16. Quando essa notícia poderosa ressoa, os 24 anciãos reagem. Pelo Espírito entendem o que está acontecendo e o que acontecerá. Compreendem o significado dos acontecimentos e compreendem ainda mais a grandeza dAquele que realiza tudo. Por isso também não podem ficar sentados nos seus tronos, mas caem em adoração diante de Deus (cf. Apo 4:10; Apo 5:8).

V17. Enquanto adoram, agradecem a Deus. Dirigem-se a Ele com vários nomes. Primeiro O chamam Senhor, que é Jeová, o Deus da aliança. Ele faz aquilo a que se comprometeu. Chamam-nO também de Deus, o Todo-Poderoso. Esse é Deus no seu poder criador, que como o Todo-Poderoso sustenta tudo o que criou e o leva ao seu objetivo.

Além disso dizem dEle que Ele é, e que era. “O que há de vir” não é mais acrescentado [JFAA e KJA]. “O que é” aponta para sua existência eterna, e “o que era” aponta para sua relação com o passado. “O que há de vir” não é mais necessário, porque Ele aqui é visto como tendo vindo e como Aquele que assumiu o seu governo.

Ele fez isso assumindo o seu grande poder. Ele sempre teve esse grande poder. Mas agora intervém com poder nos acontecimentos mundiais. E o que Ele assumiu, nunca mais solta da mão e nunca mais poderá ser tirado dEle. Seu grande poder é a garantia disso.

V18. Os anciãos também falam da ira de Deus. Fazem isso em conexão com a ira das nações, isto é, de toda a humanidade. As nações se rebelaram contra Deus nos séculos passados e se opuseram a Ele. Mas agora acabou a ira delas, pois Deus com a sua ira põe um fim nisso. O jogo de palavras mostra o quão insignificante é a ira do homem diante da ira do Deus Todo-Poderoso. Você vê esses dois lados também no Salmo 2, onde o contraste entre o tumulto das nações e a reação de Deus a isso fica ainda mais evidente (Slm 2:1-6).

Com a vinda do Reino chegou o tempo de Deus julgar os mortos, embora o juízo só seja executado depois do Reino de Paz (Apo 20:12). Mas para a distribuição da recompensa chegou a hora. A recompensa é para os que, como verdadeiros servos em obediência a Deus, como verdadeiros profetas, falaram as suas palavras àqueles a quem foram enviados. Isso resultou em rejeição e zombaria, mas agora recebem recompensa. Essa recompensa será dada no Reino de Paz (Apo 22:12). Embora ainda não seja a hora, já se pode falar assim porque o governo está nas mãos do Senhor Jesus. Também os santos, aqueles que viveram separados para Ele num mundo corrompido, agora recebem sua recompensa. Eles viveram com temor ao seu nome, cada um conforme a medida da sua responsabilidade, o que aparece na expressão “os pequenos e os grandes”.

Finalmente chegou o tempo de Deus destruir os que destroem a terra. Aqui se trata das três bestas dos capítulos 12 e 13 (o dragão, a besta do mar e a besta da terra) e de todos os que as seguiram. Essa é uma categoria diferente dos mortos mencionados anteriormente neste versículo. Assim é removido tudo o que sempre impediu o Reino de Paz, e assim são recompensados os que sempre viveram pela fé no Príncipe da Paz e na sua vinda.

V19. Com este versículo começa uma nova inserção, que vai até (Apo 15:4). A partir de (Apo 15:5) são descritas as sete taças da ira. Nesta inserção o Espírito Santo mostra as figuras principais dos capítulos 8–11. Ali você vê o dragão (que é Satanás) e a primeira e a segunda besta. Outras personagens principais são: a mulher (Israel), o Filho (Cristo), Miguel e a grande prostituta Babilônia. No total são sete personagens principais que passam em revista.

O ponto de partida da inserção são o templo de Deus no céu e a arca da aliança. O templo é a habitação de Deus no meio do seu povo, e a arca da aliança lembra a fidelidade de Deus no que diz respeito à sua aliança com o seu povo. Isso está em agudo contraste com o que no mesmo momento acontece no templo na terra. Este é profanado de forma abominável pelo Anticristo. Deus está profundamente indignado com o que acontece na terra. Relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e um grande granizo expressam isso de forma impressionante.

Leia novamente Apocalipse 11:9–19.

Pergunta ou tarefa: Quais semelhanças você vê entre as duas testemunhas e o Senhor Jesus? O que você pode aprender para o seu testemunho a partir dessas duas testemunhas?

Continue lendo em Apocalipse 12

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© Tradução bíblica usada: JFAC; publicada em 1848; domínio público

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