1 - 10 “Sai dela, povo meu”
1 E, depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória. 2 E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu! Caiu a grande Babilônia e se tornou morada de demônios, e abrigo de todo espírito imundo, e refúgio de toda ave imunda e aborrecível! 3 Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição. Os reis da terra se prostituíram com ela. E os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias. 4 E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados e para que não incorras nas suas pragas. 5 Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniqüidades dela. 6 Tornai-lhe a dar como ela vos tem dado e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras; no cálice em que vos deu de beber, dai-lhe a ela em dobro. 7 Quanto ela se glorificou e em delícias esteve, foi-lhe outro tanto de tormento e pranto, porque diz em seu coração: Estou assentada como rainha, não sou viúva e não verei o pranto. 8 Portanto, num dia virão as suas pragas: a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo, porque é forte o Senhor Deus, que a julga. 9 E os reis da terra, que se prostituíram com ela e viveram em delícias, a chorarão e sobre ela prantearão, quando virem a fumaça do seu incêndio. 10 Estarão de longe pelo temor do seu tormento, dizendo: Ai! Ai daquela grande Babilônia, aquela forte cidade! Pois numa hora veio o seu juízo.
V1. Após a descrição de Babilônia como mulher (prostituta) e do seu juízo, Babilônia é apresentada neste capítulo como uma cidade que é julgada. A representação simbólica como mulher mostra Babilônia como sistema religioso. O fato de ela ser uma “prostituta” mostra a sua infidelidade e apostasia de Deus. Com a representação simbólica como cidade, Babilônia é mostrada como poder político, cultural e econômico, e é disso que trata este capítulo.
Agora diz: “Depois destas coisas vi outro anjo”. Com “Depois destas coisas” e com o anúncio de um novo juízo por meio de “um outro anjo”, abre-se um novo período de tempo. A sua aparência imponente é especialmente enfatizada com a expressão “que tinha grande poder”. Ele parece de fato não ser apenas um anjo. Pelo contrário – se considerarmos as manifestações que o acompanham – parece que o anjo é uma forma oculta de aparição do Senhor Jesus (cf. Apo 8:3: Sacerdote; Apo 10:1: Rei; Apo 18:1: Juiz). De nenhum outro ser se pode dizer que a sua glória ilumina a terra (Eze 43:2).
V2. Este versículo descreve o estado de Babilônia após os eventos descritos no capítulo 17 (Apo 17:16), quando essa igreja é despojada do seu poder religioso e as duas bestas dominam o Ocidente “cristão”. Com voz poderosa o anjo proclama a queda de Babilônia. Todos devem saber. Com um repetido “caiu”, o anjo faz toda a terra saber que a grande e imponente Babilônia já não está de pé, mas perdeu a sua reputação.
A palavra “caiu” aponta para uma queda repentina e imediata e para o fato de que essa queda é definitiva (cf. Isa 21:9). Babilônia nunca mais se levantará. Por mais grande e rica que tenha sido – ela caiu. Nada pôde impedir ou deter a sua queda.
O tempo passado do verbo “caiu” mostra a absoluta certeza da profecia. Na época em que João viu isso, ainda não havia nenhum sinal da queda de Babilônia. Mas para Deus o futuro é presente ou, como aqui, até já aconteceu.
As aves do céu são frequentemente mencionadas em sentido negativo (Mat 13:31-32; Isa 34:11; Jer 5:27). A palavra para “morada” usada aqui só aparece mais em Efésios (2 Efé 2:22), onde se trata da habitação de Deus no Espírito. Aqui trata-se da morada do espírito do adversário de Deus. Não é apenas uma morada, mas também um cárcere ou prisão. Se os demônios e todo tipo de impureza têm ali morada, esse sistema deve estar totalmente corrompido. Quão corrompido ele será descrito com mais detalhes no versículo seguinte.
V3. Como já foi dito, em Babilônia não há apenas prostituição religiosa, há também uma ligação econômica com o mundo. Babilônia não é apenas um falso sistema religioso, mas também um grande poder político e econômico no mundo. Isso levou as nações a beberem do cálice, que brilhava com vinho e que ela oferecia. O vinho é aqui ligado com o furor da sua prostituição. É o engano astuto da prostituta, que finge que o comércio com ela traria lucro e prazer, embora na realidade tenha más intenções.
As nações não perceberam a sua intenção traiçoeira e se dedicaram com empenho ao comércio oferecido. Os líderes das nações se ligaram a ela de forma reprovável. Ela não escondeu o seu caráter de prostituta, mas os mercadores gostaram de se envolver com ela. De sua riqueza emanava um grande poder. Os mercadores da terra viram nela muito dinheiro e quiseram tirar dela o maior lucro possível.
Babilônia (ou Roma) adquiriu grande parte da sua riqueza oferecendo à venda a salvação da alma. Quantias incontáveis em bilhões foram pagas à Igreja Romana por pessoas que acreditavam que podiam comprar o céu para seus entes queridos. Dave Hunt descreve em um de seus livros [A Mulher e a besta – História, Presente e Futuro da Igreja Romana, Bielefeld (CLV), 1995.] além dessas vergonhosas distorções do evangelho, pelas quais centenas de milhões de pessoas foram enganadas, muitas outras torpezas. Ele relata negócios financeiros corruptos, lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, comércio de títulos falsificados e colaboração com a máfia, que por muito tempo recebeu mundialmente suas ordens do Vaticano (documentado em relatórios policiais).
Também o valor dos tesouros artísticos que estão em posse de Roma é incalculável. A Igreja Católica Romana é de longe a instituição mais rica do mundo. E isso, embora Cristo e seus discípulos tenham vivido na pobreza. Cristo disse aos seus discípulos que não ajuntassem tesouros na terra (Mat 6:19). A Igreja Romana não tem nada a ver com isso, mas ajuntou uma abundância de riquezas sem precedentes, sobre a qual o Papa tem o maior poder de disposição e a última decisão.
V4. Esse sistema totalmente corrompido e ímpio, até o mais profundo âmago, não pode ser morada do povo de Deus. Por mais amigável que o Papa ou seus subordinados falem, são vozes do abismo. Para o povo de Deus ressoa uma voz do céu, conclamando a sair desse sistema. Não é possível permanecer ali sem ter comunhão com os seus pecados. Permanecer ali significa também participar das pragas que a atingirão. É o último chamado na Escritura para abandonar o que em breve será julgado, porque não se deu ao Cristo das Escrituras o seu verdadeiro lugar. O objetivo é ser para o Senhor uma noiva pura.
Todo crente é aqui apontado para a necessidade de se separar de todo sistema religioso que mantém uma ligação impura com o mundo ímpio. Literalmente, a ordem de “sair” foi dada antes a Judá, que estava no exílio na Babilônia (Isa 48:20; 52:11; Jer 50:8; 51:6,9). A separação do mal foi necessária para os crentes em todos os tempos e será também – como aqui – depois do arrebatamento da Igreja. Para nós trata-se de separação em sentido espiritual, e isso em três aspectos: somos exortados a nos separar do mundo (2Cor 6:17), do judaísmo que rejeita Cristo (Heb 13:13) e dos falsos cristãos (2Tim 2:19-22).
Na época em que Babilônia cair, a Igreja já terá sido arrebatada. Isso não significa que na igreja falsa, que ainda existirá então, não haverá mais crentes. O povo de Deus aqui convocado a sair dela consiste de crentes que, pelo poder de Deus, chegaram à conversão dentro dessa igreja falsa. Mas é impossível permanecer ali. Deus não pode estar ali e está prestes a julgar o sistema. Mesmo que alguém pessoalmente não tenha parte no mal que domina nesse sistema, ao permanecer ali ele será contaminado, pois isso significa apoiar e promover o mal (2Joã 1:11).
V5. As pragas que atingirão o Vaticano ele mereceu tanto que se pode chamar de milagre o fato de Deus ter suportado esse sistema por tanto tempo. Mas Deus só julga quando a medida da injustiça está cheia (cf. Gên 15:16). No caso do Vaticano, com todas as suas riquezas adquiridas por meio de práticas sombrias, o juízo vem quando os seus pecados se acumularam até o céu. “Acumulados” significa literalmente colados ou empilhados como pedras num edifício. Quando os seus pecados atingirem essa altura e essa densidade, Deus se lembra das suas injustiças. Isso não significa que Deus as tenha esquecido por um tempo, mas que Ele começa a agir.
V6. A dupla medida de retribuição corresponde ao seu próprio duplo modo de agir. As suas obras são marcadas por terrível maldade. O “dobro” provavelmente está no fato de que ela se apresentava como justa e fiel, embora fosse injusta e infiel. Ela fingia em todos os aspectos. O cálice que ela dava para beber era, portanto, também um cálice que ela mesma havia misturado. Ela misturava verdade com mentira, benefício com ganância. Apresentava o céu, mas o transformava numa fonte de ganho financeiro. Justamente essa mistura a torna tão odiosa a Deus. Deus odeia todo pecado, mas odeia especialmente os pecados cometidos sob a aparência de piedade.
V7. Com toda a sua aparência atraente e com os apelos ao mundo para viver em paz uns com os outros, ela visa apenas glorificar a si mesma. O que quer que ela pregue de verdade, o objetivo não é a glorificação de Deus, mas a sua própria glorificação. Quando o Papa escreve um livro sobre Jesus que é aplaudido por teólogos, até por teólogos ortodoxos, isso é uma obra-prima de Satanás. Isso o firma ainda mais no poder.
Ele pode escrever, do ponto de vista teológico, muitas coisas corretas sobre Jesus, mas se não condenar a sua posição e o sistema que representa, não escreveu toda a verdade de Deus sobre Jesus. Ele continua a sua vida opulenta. Se permanecer ali, será alcançado pelas pragas e compartilhará do tormento e do pranto que atingirão o Vaticano. No coração ele se apega à sua posição de domínio. Também continua com a pretensão de que a igreja é a noiva de Cristo. Qualquer pensamento de luto lhe é estranho. Ele espera, afinal, que ela um dia possua o domínio mundial.
V8. As suas pragas virão num só dia, de forma rápida e inevitável. Com toda a violência os dez reis lhe desferirão um golpe destruidor, porque Deus os usa para esse juízo, como você viu no final do capítulo anterior. Nada ameniza o juízo que a atinge. É sem nenhuma misericórdia, sem nenhuma compaixão. Ela tem a ver com o Governante do universo, com o Deus todo-poderoso, sob cuja mão vingadora toda a sua glória aparente se transforma em morte, pranto e fome. Ela fingia que podia dar vida, felicidade e satisfação em troca de dinheiro e mercadorias. Agora recebe o que fez a incontáveis vítimas indefesas. Ela caiu diante do forte Senhor Deus, contra quem qualquer pensamento de resistência é simplesmente ridículo.
Na sua glória e majestade Ele subjuga essa viúva, usando o meio que, na sua soberania, considera o mais adequado. Pelo uso desse meio, os dez reis, as pragas vêm sobre ela da forma mais violenta. Ela nunca esperou que a besta sobre a qual cavalgava se voltaria contra ela. Mas o poder político, econômico e cultural de Babilônia será julgado exatamente da forma como Deus quer. O juízo é, além disso, definitivo. Ela será queimada com fogo. Na terra não restará dela nada além de cinzas. Ela nunca mais ressurgirá, pois o seu destino eterno é o fogo eterno, no qual será lançada e que reinará sobre ela para sempre.
V9. Os dez reis, que estavam sob o domínio de Roma, mas se voltaram contra ela e pelos quais Deus a julgou, não são os únicos reis. Há também reis por toda a terra que se beneficiaram dela de maneira especial. Eles tiveram relações íntimas com ela e se deleitaram com o luxo que isso proporcionava. Com o juízo sobre Babilônia, isso acabou de uma vez por todas. Isso os deixa muito tristes. Mas não é tristeza pelo que aconteceu com ela, e sim pelo que eles perderam por causa disso. Os reis veem o juízo, mas não têm compaixão dela. O egoísmo deles faz brotar lágrimas e é a causa do seu lamento. Quando veem a fumaça do seu incêndio, reconhecem que acabou, que já era.
V10. Os reis não vêm ajudá-la, mas ficam à distância. Além do pesar egoísta, eles também têm medo, porque veem o tormento da cidade. Por isso não querem se aproximar. Preferem ficar de longe a se aproximarem e verem o que restou de Babilônia. Assim veem que desse imenso e poderoso baluarte econômico nada restou. A violência, a rapidez e a súbita do juízo que a atingiu deixam claro para eles que um poder maior está em ação.
Leia novamente Apocalipse 18:1-10.
Pergunta ou tarefa: Por que a separação do mal é necessária?
11 - 24 A riqueza da cidade Babilônia destruída
11 E sobre ela choram e lamentam os mercadores da terra, porque ninguém mais compra as suas mercadorias: 12 mercadorias de ouro, e de prata, e de pedras preciosas, e de pérolas, e de linho fino, e de púrpura, e de seda, e de escarlata; e toda madeira odorífera, e todo vaso de marfim, e todo vaso de madeira preciosíssima, de bronze e de ferro, e de mármore; 13 e cinamomo, e cardamomo, e perfume, e mirra, e incenso, e vinho, e azeite, e flor de farinha, e trigo, e cavalgaduras, e ovelhas; e mercadorias de cavalos, e de carros, e de corpos e de almas de homens. 14 E o fruto do desejo da tua alma foi-se de ti, e todas as coisas gostosas e excelentes se foram de ti, e não mais as acharás. 15 Os mercadores destas coisas, que com elas se enriqueceram, estarão de longe, pelo temor do seu tormento, chorando, e lamentando, 16 e dizendo: Ai! Ai daquela grande cidade, que estava vestida de linho fino, de púrpura, de escarlata, adornada com ouro e pedras preciosas e pérolas! Porque numa hora foram assoladas tantas riquezas. 17 E todo piloto, e todo o que navega em naus, e todo marinheiro, e todos os que negociam no mar se puseram de longe. 18 E, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade é semelhante a esta grande cidade? 19 E lançaram pó sobre a cabeça e clamaram, chorando, e lamentando, e dizendo: Ai! Ai daquela grande cidade, na qual todos os que tinham naus no mar se enriqueceram em razão da sua opulência! Porque numa hora foi assolada. 20 Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas, porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela. 21 E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó e lançou- a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada. 22 E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, e de músicos, e de flauteiros, e de trombeteiros, e nenhum artífice de arte alguma se achará mais em ti; e ruído de mó em ti se não ouvirá mais; 23 e luz de candeia não mais luzirá em ti, e voz de esposo e de esposa não mais em ti se ouvirá; porque os teus mercadores eram os grandes da terra; porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias. 24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.
V11. O mundo econômico se tornou tão dependente de Babilônia que com a sua queda toda a prosperidade desaparece. Em toda a terra os mercadores fizeram negócios com ela. Entre os mercadores da terra podemos entender os líderes das corporações internacionais. Eles devem a sua riqueza, entre outras coisas, aos negócios com o Vaticano.
V12-13. O Vaticano obteve sua riqueza incrível por meio de um sortimento de mercadorias extraordinariamente amplo. Agora segue uma lista de 28 tipos de mercadorias, que podem ser divididas grosseiramente em sete segmentos de mercado: Recursos minerais como base para todos os títulos = mercado de investimentos Tecidos finos de vestuário = indústria têxtil Objetos valiosos de madeira, metal e pedra = mercado imobiliário Especiarias e perfumes = mercado de bens de luxo Bebidas e alimentos = mercado de alimentos Meios de transporte = mercado de transporte Corpos e almas de homens = mercado de trabalho Nessa lista, corpos e almas de homens aparecem por último. Isso é típico do valor que as pessoas tinham aos olhos de Roma. Elas eram consideradas inferiores a todas as mercadorias mencionadas antes. No comércio de corpos podemos pensar no tráfico de escravos e no comércio de almas na venda de indulgências.
V14. De Roma em si nada restou, mas também de tudo o que ela possuía nada sobrou. Tudo o que a sua alma cobiçava se afastou dela. Ela não tem mais acesso, não tem mais nada nas mãos, tudo lhe foi tirado. Também tudo com que os seus olhos se deleitavam se foi; ela não vê mais. Qualquer esforço – se fosse possível – para recuperar isso será em vão. Tudo evaporou, voou, não pode mais ser juntado. Tudo o que ela cobiçava e com que se deleitava lhe foi tirado. Ela perdeu tudo, e definitivamente. Assim acontece com toda a riqueza de um homem que a usa para o seu próprio prazer e para a sua própria glória. Podemos pensar em jatos particulares, iates de luxo, grandes mansões e carros caros.
V15. Pelos “mercadores” podemos entender diretores e conselheiros de corporações multinacionais que possuíam o monopólio “destas coisas”. A reação dessas pessoas é como a dos reis (verso 9). Também o luto delas é puramente egoísta (verso 10). O juízo sobre Babilônia causa temor. Eles não ousam se aproximar dela, pois compreendem que não se trata de uma catástrofe natural, mas de uma intervenção de Deus.
V16. Os mercadores pronunciam um duplo “Ai”, porque não esperavam nada disso. Ela era, afinal, “a grande cidade”. Não conseguiam imaginar que algo lhe aconteceria. Babilônia sobrevivia a toda queda econômica. Seus estoques pareciam inesgotáveis. A cidade não era apenas grande e poderosa, era também digna de ser vista. Toda a sua aparência era deslumbrante. E agora tudo estava em cinzas. De repente tudo desapareceu, a riqueza ganhou asas (Pro 23:4-5). Agora os que lucravam com isso ficaram no prejuízo.
Eles se admiram de que tudo tenha acontecido tão de repente. Não houve tempo de elaborar um plano de ajuda. Diferente do juízo sobre a prostituta, que se deu em várias fases (Apo 17:16), o juízo sobre a cidade acontece de uma só vez. O fato de a grande cidade estar destruída os mercadores acham ruim, mas provavelmente apenas por causa da perda de tão grande riqueza.
V17. Há ainda outros grupos afetados pela ruína da cidade. Não apenas os mercadores, mas também todas as empresas de transporte que levavam as mercadorias da cidade veem o seu lucro desaparecer. As consequências do juízo de Deus sobre a cidade serão sentidas até os confins da terra.
V18. Apesar do fato de que esses comerciantes veem as consequências do juízo, eles expressam abertamente a sua admiração pela cidade (cf. Eze 27:32). O que essa cidade lhes rendeu não se compara a nenhuma outra cidade. Portos como Roterdã e Nova York ficam à sombra do centro de poder econômico do Vaticano.
V19. O desespero deles é expresso segundo o antigo costume de lançar pó sobre a cabeça (Jó 2:12; Lam 2:10; Eze 27:30). O significado simbólico do pó é morte. E é de fato a única coisa que lhes resta. O lamento se limita à perda de lucro e riqueza. Eles falam de “suas coisas preciosas”, o que significa que essa cidade possuía as coisas mais preciosas que há no mundo. Também eles se admiram do juízo extremamente rápido e radical que atingiu a cidade.
Pelo lamento reconhece-se o grande poder desse sistema cristão degenerado no mundo de hoje. Reis (verso 9), mercadores (verso 11) e marinheiros (verso 17) de todo o mundo têm relações com ela.
V20. Não se diz quem fala neste versículo. É possível que o próprio Cristo conclamasse à alegria. Em contraste com o lamento sobre a destruição da cidade por aqueles que lucraram com ela, está a alegria dos que sofreram por causa dela. Eles veem que Deus agiu corretamente. Exercer o juízo é coisa de Deus, não nossa (Rom 12:19). A justiça de Deus se tornará visível um dia para todos os santos que sofreram injustiça na terra (Apo 17:6). Isso acontece aqui.
Os profetas são os profetas do Novo Testamento. Apóstolos e profetas são os que lançaram o fundamento da Igreja (Efé 2:20. Todos os que foram edificados como Igreja pelo ensino da Escritura e se comportaram na terra como estrangeiros atraíram sobre si a ira de Roma. Eles não participaram da sua busca por riqueza e portanto também nada contribuíram para isso. Por isso Roma agiu contra eles.
V21. Pela terceira vez você lê sobre um “anjo forte”. A primeira vez foi no capítulo 5 em conexão com o livro com os sete selos (Apo 5:2). Ali se tratava do juízo sobre o Império Romano. A segunda vez foi no capítulo 10 em conexão com o livrinho (Apo 10:1). Ali se tratava do juízo sobre Israel. Nesta terceira vez trata-se do juízo final sobre a grande Babilônia (Jer 51:58,61-64).
Babilônia é comparada a uma grande pedra de moinho. Isso lembra a advertência do Senhor a quem fizer tropeçar uma criança na fé. O Senhor diz que para tal pessoa seria melhor que uma pedra de moinho fosse pendurada ao seu pescoço e que ela fosse lançada na profundeza do mar (Mat 18:6). Babilônia foi um tropeço na fé para muitos, ameaçando de morte todos os que queriam escapar da sua influência pela fé no Senhor Jesus. As suas práticas enganosas, com esse juízo executado com violência, chegam definitivamente ao fim.
V22. Com a ruína da cidade, todos os elementos culturais e econômicos que tornavam a permanência na cidade tão agradável desapareceram para sempre. No lugar do prazer e do barulho instalou-se um silêncio mortal, que nunca mais será interrompido. Nunca mais haverá ali um sinal de vida, nunca mais surgirá um sistema de maldade como esse. A música foi silenciada. Outrora a música foi introduzida no mundo por um descendente de Caim para tornar a vida no mundo sem Deus agradável (Gên 4:21). A música se tornou um ramo da indústria, a indústria do entretenimento, onde se ganha muito dinheiro.
Os artistas ou artesãos aumentaram o brilho de Roma e a transformaram num sistema suntuoso e atraente. O ruído do moinho é o ruído dos moinhos manuais, com os quais se moía grão para fazer pão. Mas também esse ruído nunca mais será ouvido. Ou seja, não haverá mais nenhuma atividade doméstica.
Essas consequências do juízo sobre Babilônia são também as consequências do juízo que atingirá a infiel Jerusalém (Jer 25:10-11).
V23. Além do silêncio mortal, reina ali também uma escuridão absoluta. Nunca mais brilhará ali a luz, pois Babilônia está envolta em trevas para sempre. Também não se falará mais de casamentos que ela celebrava e da alegria relacionada a isso. Ela sempre apresentou o casamento de forma errada, a saber, como a união que ela mesma tinha com Cristo. A essa aparência e à falsa alegria ligada a ela é posto um fim.
Os mercadores são aqui chamados “teus mercadores”. Ela se envolveu com diretores de bancos, com aqueles que dominavam os mercados financeiros e assim dirigiam a economia, e exerceu sobre eles a sua influência sedutora. Ela governou dentro e sobre o mundo, que é marcado por ter rejeitado Cristo e viver em rebelião contra Ele. Para aumentar a sua influência, ela chegou a usar ocultismo e consultar demônios.
V24. Este versículo menciona mais uma vez a causa evidente do seu juízo. No juízo que a atinge, a sua história se tornará visível para todos. Tudo o que ela cometeu de crimes será então encontrado nela e trazido à tona e exposto. Até aquele momento ela exerceu, durante todos os séculos, as suas práticas assassinas sob uma máscara cristã. Então se tornará manifesto quanto sangue ela derramou, o sangue de todos os que foram mortos por ela.
Leia novamente Apocalipse 18:11-24.
Pergunta ou tarefa: Que lições você pode tirar da devastação da riqueza da cidade Babilônia?