1 - 7 Um rio de água da vida
1 E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. 2 No meio da sua praça e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações. 3 E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão. 4 E verão o seu rosto, e na sua testa estará o seu nome. 5 E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia, e reinarão para todo o sempre. 6 E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer. 7 Eis que presto venho. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.
V1. As palavras “mostrou-me” introduzem uma nova seção. Mesmo assim, essa seção junto com a anterior forma um todo, pois ainda se trata da cidade. João passa a ver um rio de água da vida. Esse rio é figura do Senhor Jesus (cf. Apo 21:6). O rio fala também da vida eterna que os filhos de Deus já podem desfrutar agora por meio do Espírito (Joã 7:38).
A água é brilhante como cristal, sem nenhuma impureza nela, também sem nenhuma mistura; é totalmente pura. A água não pode ser contaminada, pois sai do trono de Deus e do Cordeiro. O trono fala de domínio, de autoridade. Onde Deus e o Cordeiro têm autoridade, abre-se espaço para a vida em correntes gloriosamente revigorantes. A morte e a maldição não têm como atrapalhar o desfrute da vida. A vida pode ser desfrutada plenamente.
O que João vê lembra a cena de Ezequiel 47 (Eze 47:1-12). Mas há uma grande diferença. Lá se trata de um rio literal na Jerusalém terrena, enquanto aqui se trata da Jerusalém celestial, e isso em linguagem simbólica.
V2. Então o olhar é dirigido para a árvore da vida. Ela está no meio da rua da cidade e ao mesmo tempo dos dois lados do rio. É uma árvore, e ainda assim está em vários lugares ao mesmo tempo. Isso não se explica logicamente. Em todo caso, essa árvore da vida é figura do Senhor Jesus.
Bem no início da Bíblia você também lê sobre a árvore da vida (Gên 2:9). Deus colocou a árvore da vida no meio do paraíso. Bem ao lado Ele colocou a árvore do conhecimento do bem e do mal. Da árvore do conhecimento do bem e do mal agora não se ouve mais nada. Aqui está somente a árvore da vida. O Espírito Santo assim liga o início e o fim da Escritura.
Em Gênesis 2 fala-se de duas árvores. Ali há também um rio, que no entanto se divide em quatro rios. Aqui há apenas uma árvore e um rio. Não se fala mais da responsabilidade do homem. O homem não pode, no Reino de Paz, como no paraíso, ser tentado por Satanás. Satanás está preso durante o Reino de Paz (Apo 20:1-3). Por isso aqui está apenas a árvore da vida. O homem poderá comer dela continuamente, para desfrutar da bênção permanente do Reino de Paz.
Isso aponta para uma dependência contínua do Senhor Jesus. Ele dá força para andar nessa única rua, e Ele dá refrigério, independentemente de em que lado do rio alguém vive. A Igreja poderá desfrutá-Lo durante os mil anos de uma nova maneira a cada mês, pois os frutos serão para os habitantes da cidade.
As folhas das árvores servem para a cura das nações na terra. O Senhor Jesus porá fim a todos os conflitos e desavenças. Não haverá mais guerras, todas as feridas serão curadas.
V3. Nessa situação maravilhosa não haverá mais nenhuma maldição, pois o Senhor Jesus reina. No seu governo não haverá mais maldição, mas somente bênção. A maldição é consequência do pecado, e tudo o que tem a ver com pecado não terá na nova Jerusalém oportunidade de exercer influência de forma alguma. Também a remoção da maldição lembra o início, quando a maldição entrou no mundo (Gên 3:17). Aqui ela foi tirada. Assim o estado final é em todos os aspectos o oposto do estado inicial. Na terra ainda haverá pecado, mas não na cidade.
De novo é enfatizado o trono de Deus e do Cordeiro como fonte de bênção. Desfrutar da bênção não significa que ali não se servirá. Os crentes que formam a nova Jerusalém são aqui chamados servos. Isso não é uma designação para pessoas oprimidas, mas um título para pessoas voluntariamente obedientes, que por amor querem servir Àquele por quem foram compradas (Deus) e Àquele que as comprou (o Cordeiro). Servir aqui também não significa trabalho escravo, mas servir no sentido de culto a Deus, é o serviço de sacerdotes. Esse é o maior privilégio de um ser humano.
Notável é também a afirmação de que O servirão (singular), embora se trate de duas Pessoas: Deus e o Cordeiro. Isso indica que Deus e o Cordeiro são um só Deus. Você encontrou essa maneira de falar de Deus e do Senhor Jesus também nas cartas de João. Às vezes não se sabe se ele está falando de Deus ou do Senhor Jesus. Isso também não é problema, pois em ambas as Pessoas se trata de Deus.
V4. É um privilégio estar cercado de bênçãos e poder desfrutá-las sem restrição. Há, porém, um privilégio ainda maior, e esse consiste em ver a face de Deus e do Cordeiro. Isso significa ter acesso direto e livre a Deus e ao Cordeiro e também trato livre com essas Pessoas. Essa é a recompensa para os que têm coração puro (Mat 5:8). Exteriormente o seu nome estará escrito nas suas testas. Com isso eles proclamam publicamente que são adoradores de Deus e do Cordeiro (cf. Apo 13:16; 17:5).
V5. Não serão mais necessárias fontes de luz naturais na cidade (Apo 21:23). Deus, que é luz (1Joã 1:5), expulsou todas as trevas. O que João já proclamou na sua primeira carta como princípio da nova vida – que o crente, com relação à nova vida que recebeu, anda na luz (1Joã 1:7) – vale então para toda a ordem celestial das coisas.
Um retorno das trevas não é possível. Na nova Jerusalém, formada por pessoas que todas possuem a nova vida eterna no Filho, que é a vida eterna, será sempre dia. Isso também não mudará depois do Reino de Paz. Reinaremos eternamente com Cristo. Depois do Reino de Paz o nosso reinado com Cristo não termina, embora a forma de governo mude (1Cor 15:24). O Reino do Senhor Jesus como Filho do Homem durará mil anos. Como Filho de Deus Ele reinará eternamente (sem deixar de ser Homem).
V6. João recebe a garantia de que do que foi dito não se pode duvidar, a menos que alguém o faça de propósito. “Estas palavras são fiéis e verdadeiras.” Elas o são porque Aquele que as falou é assim (Apo 19:11). A Palavra de Deus está acima de toda dúvida. Embora isso seja sempre o caso, aqui é enfatizado.
Deus dá uma garantia assim com relação à sua Palavra porque sabe que você pode ser fraco na sua fé na sua Palavra. Apenas se apegue ao fato de que os profetas falaram sobre isso de uma maneira que exclui erros. O Senhor, que tem autoridade sobre tudo, é o Deus dos espíritos dos profetas. Isso significa que Ele dirigiu os espíritos, o interior espiritual dos profetas, no que eles tinham que escrever.
Trata-se do que deve acontecer em breve. Você também encontrou essas palavras no início deste livro (Apo 1:1), de modo que o fim do livro de certa forma volta a fechar o círculo. Isso lembra o propósito do livro: que você espere a vinda do Senhor Jesus. Não precisa mais acontecer nada antes, o Senhor Jesus pode vir a qualquer momento para a Igreja. Se isso já valia para João e Paulo, quanto mais para nós.
V7. O anjo disse a João que os acontecimentos deste livro se cumpririam em breve. Isso aumenta a sua saudade do Senhor. Como é maravilhoso, portanto, ouvir o próprio Senhor Jesus dizer que Ele vem em breve. É como se Ele quisesse tirar os seus olhos dos acontecimentos futuros e colocá-los nEle mesmo. Ele anseia por cumprir tudo o que está escrito neste livro. Você, portanto, não espera em primeiro lugar o cumprimento de acontecimentos, mas uma Pessoa.
Até aquele momento você tem as palavras da profecia deste livro. Se você as guardar, é bem-aventurado. Isso vale para todo aquele que guarda a Palavra de Deus. Ela lança luz no seu caminho e mostra o seu futuro, pois o seu futuro está ligado a Cristo. O Senhor liga bênçãos especiais à leitura deste livro, que infelizmente muitos crentes deixam de ler por considerá-lo um livro incompreensível.
Leia novamente Apocalipse 22:1-7.
Pergunta ou tarefa: Mencione as bênçãos ligadas ao rio da água da vida!
8 - 14 “O meu galardão está comigo”
8 E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo- as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar. 9 E disse-me: Olha, não faças tal, porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus. 10 E disse-me: Não seles as palavras da profecia deste livro, porque próximo está o tempo. 11 Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo seja santificado ainda. 12 E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo para dar a cada um segundo a sua obra. 13 Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, o Primeiro e o Derradeiro. 14 Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestiduras no sangue do Cordeiro, para que tenham direito à árvore da vida e possam entrar na cidade pelas portas.
V8. O que João ouviu e viu causou grande impressão nele. As palavras “eu, João” deixam claro que ele experimentou tudo o que ouviu e viu de forma muito pessoal. Ele não tomou conhecimento apenas de uma série de fatos, para saber o que aconteceria no futuro. Ele estava envolvido com toda a sua pessoa.
Isso é também muito importante para nós. Agora que você chegou ao fim deste livro, talvez se pergunte o que o livro produziu em você, assim como eu preciso me perguntar o que produziu em mim. Você apenas avançou no conhecimento dos fatos, ou isso te atingiu profundamente por dentro? Você acha apenas interessante saber como a história vai se desenrolar, ou você realmente anseia pela vinda do Senhor?
João fica tão impressionado que chega à adoração. Mas ele dá essa adoração a alguém que não tem direito a ela. Esse também é um perigo para você. Você corre o risco de admirar um instrumento de Deus, em vez dAquele que é apresentado a você por meio desse instrumento. O Espírito Santo não quer dirigir a sua atenção para um anjo, nem para João nem para qualquer homem, mas para o Senhor Jesus.
V9. João é chamado à ordem pelo anjo. Ele já havia cometido esse erro antes (Apo 19:10). Também ali o anjo o corrigiu. O fato de ele cometer esse erro pela segunda vez mostra que pode ser difícil dar glória somente ao Senhor Jesus em vez de a uma criatura, por mais que admiramos alguém. Podemos e devemos valorizar pessoas que nos ajudaram a conhecer melhor a verdade de Deus, mas há apenas uma Pessoa a quem devemos a nossa adoração. No que diz respeito ao Senhor Jesus, todas as outras pessoas ocupam um lugar subordinado e um lugar igual entre si, observando as diferenças que o próprio Senhor Jesus estabeleceu.
O anjo se chama conservo de João, por mais que ele tenha sido útil a João na explicação dos acontecimentos futuros. Ele também fala dos profetas como irmãos de João. João e todos os profetas de Deus falaram sobre acontecimentos futuros. Eles só puderam fazer isso porque Deus lhes mostrou o que pretendia fazer. Esses planos Ele tornou conhecidos a todos os seus na sua Palavra e especialmente neste livro da Bíblia.
Todos os que guardam as palavras deste livro da Bíblia, o anjo também chama de seus conservos. À palavra “servo” você já encontrou no início deste livro. Este livro só pode ser entendido por crentes que, como resposta ao que Deus comunica na sua Palavra, consagram a Ele a sua vida. Isso é verdadeira adoração a Deus.
V10. Quando Daniel chegou ao fim do seu livro, foi-lhe dito que ele deveria selar o livro até o tempo do fim (Dan 12:4). O motivo era que no tempo de Daniel o fim ainda estava longe. Ele vivia em outra dispensação da história da salvação de Deus. O selamento do seu livro significava que as profecias que estavam nele eram tornadas inatacáveis e guardadas com segurança até o cumprimento. Quebrar os selos só pode ser feito pela pessoa autorizada para isso (cf. Apo 5:5).
Para nós o tempo está próximo (cf. Mat 25:6). Desde a morte de Cristo tudo se cumpriu e chegamos à “última hora” (1Joã 2:18). Sobre nós chegaram os fins dos séculos (1Cor 10:11). Por isso é dito a João que não sele as profecias deste livro. Deus revelou tudo. O tempo em que o seu Filho vem para cumprir tudo está próximo. Por meio dessa revelação, que não está selada, sabemos que o seu Filho pode vir a qualquer momento. Deus quer com isso alcançar que você anseie por Aquele que cumprirá tudo.
V11. Quando todos os acontecimentos deste livro se aproximaram tanto, isso provocará uma separação entre as pessoas. Há apenas duas reações possíveis. Há os que rejeitam a Palavra de Deus e não contam com as coisas que em breve acontecerão, e há os que se submetem à Palavra e esperam o seu cumprimento. Quanto mais o tempo se aproxima, mais o verdadeiro caráter de cada pessoa se torna manifesto.
A primeira categoria de pessoas praticará cada vez mais injustiça e com isso se contaminará cada vez mais. Você vê isso no mundo e também no assim chamado mundo cristão. As pessoas fazem cada vez mais injustiça e expõem cada vez mais descaradamente a sua imundícia. A segunda categoria de pessoas se consagra cada vez mais a Deus. Elas vivem com justiça e com isso separam cada vez mais da impureza das pessoas ao redor delas. A santidade delas é vista cada vez mais claramente pelo contraste com a impureza crescente do mundo. A diferença para o mundo ficará cada vez maior. À luz da vinda do Senhor tudo se decide com relação à nossa vida na terra. Nessa luz se vê para que vivemos.
V12. Você talvez pense que não é fácil viver com justiça e santidade num mundo tão sujo, onde a impureza pula em você de todos os lados. Por isso as palavras do Senhor são um grande encorajamento. Você ouve Cristo dizer que Ele vem em breve. Isso é encorajador. E então você ainda ouve que Ele liga uma recompensa à sua vinda em breve. Cristo saberá valorizar cada sinal de justiça na sua vida e lhe dará a recompensa correspondente.
Se você se colocou do lado dEle na terra, talvez tenha perdido muito reconhecimento. Mas o Senhor restituirá isso abundantemente na sua vinda. Os incrédulos já receberam a sua recompensa na terra (Mat 6:2,5,16). Por isso não haverá nada para eles quando o Senhor vier. Pelo contrário. Eles receberão retribuição pelos seus atos maus.
V13. Pela terceira e última vez você ouve que o Senhor Jesus é o “Alfa” (a primeira letra do alfabeto grego) e o “Ômega” (a última letra do alfabeto grego) (Apo 1:8; 21:6). Ele é a Palavra de Deus, a revelação perfeita de Deus. Tudo o que Deus tem a dizer, Ele o disse em Cristo. Cristo cumprirá tudo até a última letra, assim como Deus disse (cf. Jos 21:45; Mat 5:17,18).
Ele, que está fora da história da criação, entrou na história. Ele é o Primeiro e o Último da história (Apo 1:17; 2:8; Isa 44:6; 48:12). Ele está como o Primeiro no início de tudo, e Ele ainda estará lá quando tudo o que foi tiver passado. Ele é tanto a origem quanto o alvo da criação (Col 1:15-17).
Por fim, Ele é o princípio de tudo e o fim de tudo. Ele mesmo não tem princípio nem fim, Ele é o Deus eterno. Ele abrange tudo. Não há nada fora dEle com que Ele não tenha a ver. Tudo deve a Ele o seu início e tudo será em conexão com Ele consumado e levado à plenitude. Você vê como Ele é grande!
V14. Pela sétima e última vez é pronunciado o “Bem-aventurado”. Isso diz respeito aos que lavam as suas vestes. Nota-se que aqui está “lavam” (presente); isso aponta para um processo contínuo de lavar. Isso é diferente do que você leu em outro lugar neste livro, onde diz “lavaram” (Apo 7:14). Este último se refere à conversão. Isso é uma coisa única. Quando você se converteu, todos os seus pecados foram lavados no sangue do Cordeiro.
Mas neste verso se trata da sua responsabilidade. Você encontra essa diferença entre “lavar” e “ter lavado” também em João 13. Ali o Senhor Jesus fala sobre “estar banhado”, que é estar completamente lavado, e sobre deixar “lavar os pés” (Joã 13:10). Estar completamente lavado é um acontecimento único na conversão. Lavar os pés precisa acontecer repetidamente, porque a vida no mundo contamina o crente.
É responsabilidade do crente deixar lavar os pés ou, como se diz aqui, lavar as suas vestes. As vestes falam do comportamento exterior. Você deve mostrar pelo seu andar que está lavado. As suas vestes, isto é, o seu comportamento, não mostram mancha. Assim que aparecer uma mancha porque você peca, precisa haver confissão, pela qual a veste fica limpa de novo. Assim no seu estilo de vida prático não haverá nada a censurar, e por isso você tem direito à árvore da vida. Isso significa que você participa do desfrute dos frutos da árvore.
Você pode viver na cidade de Deus, na sua presença. Por causa do sangue de Cristo você tem parte nas bênçãos da árvore e da cidade. Isso é graça. Mas todo aquele que tem parte nessa graça também vai querer viver de acordo. Assim você mostra que tem direito a ela. É um direito que – no que diz respeito a você – está fundado na graça, mas é uma graça que Deus concede com base no direito que alguém tem pelo sangue de Cristo.
Leia novamente Apocalipse 22:8-14.
Pergunta ou tarefa: Em que consistirá, então, a recompensa do Senhor Jesus, que Ele traz consigo na sua vinda?
15 - 21 “Certamente, cedo venho”
15 Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira. 16 Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a resplandecente Estrela da manhã. 17 E o Espírito e a esposa dizem: Vem! E quem ouve diga: Vem! E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida. 18 Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; 19 e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro. 20 Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente, cedo venho. Amém! Ora, vem, Senhor Jesus! 21 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém!
V15. O contraste com o versículo anterior é grande e dramático. Fora, fora da cidade, fora do novo mundo, estão todos os que não têm direito à árvore da vida e a entrar na cidade. “Fora” é mais do que apenas um lugar geográfico. É certamente também um lugar geográfico, mas é sobretudo o lugar de tormento eterno (Apo 21:8). O caráter das pessoas que estão fora confirma que com razão estão fora da cidade com todas as suas bênçãos. O versículo menciona as coisas às quais elas se entregaram no serviço de Satanás.
A primeira coisa que marca o caráter delas é designada com o termo “cão”. “Cão” é uma designação para malfeitor (Slm 22:16,20; Isa 56:10; Flp 3:2; veja também Deu 23:18), que age sem nenhum sentimento. Todas as categorias têm essa marca. “Feiticeiros” querem exercer poder sobre os outros. “Prostitutos” buscam à custa dos outros a satisfação das suas concupiscências. “Assassinos” privam outros da vida. “Idólatras” se entregam de forma submissa aos demônios. Tudo isso é emoldurado pela mentira, que amam e praticam. O inferno estará cheio de todas essas pessoas.
V16. Aqui é novamente o Senhor Jesus quem fala. Ele dirige a atenção para si mesmo com as palavras “Eu, Jesus”. Ele é o Todo-Poderoso, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, o Criador do universo e o sustentador de todas as coisas. Ele, porém, se apresenta aqui com o nome que é característico da sua humilhação.
Ele é ao mesmo tempo o Comandante dos anjos. Ele os envia para onde quer, com a mensagem que quer que seja transmitida. Ele se dirige por meio do seu anjo às igrejas. Essas são as igrejas locais, onde os crentes se reúnem e moram juntos na consciência de que são parte da Igreja mundial. Tais crentes não desejam outra coisa senão realizar na igreja local o que vale para a Igreja mundial.
O Senhor acrescenta às suas comunicações ainda alguns aspectos da sua Pessoa. Ele se chama a Raiz e a Geração de Davi. Isso Ele é para Israel, cuja raiz Ele é (Apo 5:5; Isa 11:1,10), da qual todo o povo descende. Ao mesmo tempo Ele é para Israel a geração (isto é, o Filho) de Davi. Ele veio desse povo para que nEle todas as promessas a respeito do Reino de Deus se tornassem realidade, com bênçãos para Israel e para as nações.
O Senhor é também a estrela brilhante da manhã. Isso Ele é para a sua Igreja. Israel nunca O conhecerá assim. A Igreja não precisa esperar até que Ele apareça como o Sol da justiça. Como Sol da justiça Ele aparecerá para Israel (Mal 4:2), mas a estrela da manhã precede o nascer do sol. Se estiver bem, a estrela da manhã já nasceu no seu coração (2Ped 1:19), isto é, que você anseia com saudade pela sua vinda para a Igreja.
V17. Quando o Senhor Jesus assim fez ouvir a sua voz e apontou para si mesmo como o cumprimento de todas as promessas, o Espírito e a Noiva não podem se calar. O Espírito está, de fato, na terra, mas a sua permanência aqui é limitada no tempo. O Espírito habita aqui exatamente enquanto a Igreja, a Noiva, estiver aqui; mas Ele não se sente em casa aqui. Assim também a Noiva não se sente em casa no mundo. Ela ainda está separada do seu Noivo. Mas quando ouve a sua voz, a sua voz também ressoa em perfeita harmonia com a voz do Espírito, e ela diz ao seu Noivo: “Vem!”
A Noiva é a Igreja na sua totalidade. A totalidade da Igreja diz: “Vem!”, mesmo que nem todos os que pertencem à Noiva anseiem pelo Senhor com a mesma intensidade. Por isso segue também o convite a cada um pessoalmente dizer: “Vem!” O desejo de um pode contagiar o desejo fraco do outro.
Então é abordado ainda um terceiro grupo. Esse grupo ainda não pertence à Noiva, mas quer pertencer, pois tem sede. Todo aquele que tem sede ainda é convidado a tomar da água da vida, e de graça (Isa 55:1). Essa água fala do refrigério que o Senhor Jesus quer dar por meio do seu Espírito a todo aquele que ficou cansado por causa de uma vida no pecado (Joã 4:10-15; 7:37).
V18. O Senhor Jesus adverte em palavras fortes (“Eu testifico”) contra acrescentar algo ao conteúdo das palavras da profecia que estão escritas neste livro da Bíblia. Nada deve e pode ser acrescentado a todos os acontecimentos descritos (cf. Pro 30:6; Deu 4:2; 12:32). Acrescentar algo é uma presunção, como se Deus não tivesse dito tudo o que tinha a dizer. Esse é o pecado com que Satanás seduziu Eva (Gên 3:1-3) e pelo qual à pena de morte anunciada foi acrescentada.
Satanás continuará fazendo todo esforço para manter as palavras da profecia deste livro fechadas para as pessoas ou para deturpá-las de modo que a sua força real se perca. Se Satanás puder acrescentar as suas mentiras às palavras da profecia deste livro, palavras que descrevem o seu fim, então ele pode arrastar o maior número possível de pessoas para o inferno. O Senhor Jesus adverte aqui contra cair nesse laço. Quem acrescenta algo ao que é perfeito, a esse serão acrescentadas as pragas descritas neste livro. Essas pragas não podem se tornar mais intensas do que estão descritas. Podem, porém, aumentar em número.
V19. A ordem das palavras é diferente da do verso anterior. Aqui se trata da mensagem completamente arredondada do livro na sua totalidade. Dela nada pode ser tirado. As pessoas tiram da Palavra de Deus o que não entendem. O entendimento orgulhoso do homem rejeita da Palavra de Deus o que lhe parece inaceitável. Aí você pode pensar na crítica bíblica. Tal atitude demonstra a audácia da incredulidade.
Mas quem assim acerta contas com a Palavra de Deus, com esse Deus acertará contas. Tal pessoa não recebe parte da árvore e da cidade. Pela sua atitude ela mostra que nem está interessada em ter parte nas coisas que o crente desfruta. Por isso também não terá parte nelas. Isso lhe foi apresentado, ela leu sobre isso, mas ela rejeita. Ela poderia ter tido parte, mas não quis. Por isso a parte que lhe foi oferecida é tirada dela.
Trata-se, portanto, de forma alguma de tirar algo de que um crente já tenha participação. A parte de um crente nunca lhe pode ser tirada. Um crente também nunca tirará algo das palavras do livro desta profecia. O fato de você, como crente, não entender tudo e ter perguntas sobre isso é algo completamente diferente de rejeitar o que Deus disse. E é disso que se trata aqui.
V20. O Senhor Jesus encerra o livro com um último testemunho de que o livro vem dEle mesmo. Cristo é a Testemunha absolutamente confiável das coisas reveladas neste livro. Depois Ele diz: “Certamente, cedo venho!” Essa é a resposta ao clamor do Espírito e da Noiva no (verso 17). Com o seu “Certamente” Ele confirma que não precisa haver a menor dúvida sobre o que foi dito. Então Ele diz que está a ponto de vir. Não é necessário o cumprimento de uma única profecia sequer antes que Ele venha para a sua Noiva.
A resposta à promessa do Senhor de que Ele vem em breve é: “Amém, vem, Senhor Jesus.” Isso ressoa da boca de todos os que O amam. O Senhor já disse duas vezes que Ele viria em breve (versos 7,12). A resposta naquela ocasião foi diferente da resposta aqui. No (verso 7), após a promessa segue o incentivo para guardar a Palavra de Deus. No (verso 12), após a promessa segue a promessa da recompensa. Neste versículo, após a promessa do Senhor segue uma expressão espontânea da saudade dEle mesmo, da sua Pessoa. Com isso o livro na verdade termina.
V21. Mas segue ainda um desejo de bênção de João para todos os santos, que é necessário enquanto o Senhor Jesus ainda não veio. Até o momento da sua vinda todos os santos podem contar com a sua graça. A isso só pode seguir um “Amém” de concordância. Um final glorioso.
Leia novamente Apocalipse 22:15-21.
Pergunta ou tarefa: O que significa para você o pensamento de que o Senhor vem em breve?