Apocalipse

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Apocalipse 8

O tempo está próximo

1 - 7 O sétimo selo e a primeira trombeta 8 - 13 O segundo ao quinto juízo das trombetas

1 - 7 O sétimo selo e a primeira trombeta

1 E, havendo aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu quase por meia hora. 2 E vi os sete anjos que estavam diante de Deus, e foram-lhes dadas sete trombetas. 3 E veio outro anjo e pôs-se junto ao altar, tendo um incensário de ouro; e foi-lhe dado muito incenso, para o pôr com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono. 4 E a fumaça do incenso subiu com as orações dos santos desde a mão do anjo até diante de Deus. 5 E o anjo tomou o incensário, e o encheu do fogo do altar, e o lançou sobre a terra; e houve depois vozes, e trovões, e relâmpagos, e terremotos. 6 E os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las. 7 E o primeiro anjo tocou a trombeta, e houve saraiva e fogo misturado com sangue, e foram lançados na terra, que foi queimada na sua terça parte; queimou-se a terça parte das árvores, e toda a erva verde foi queimada.

V1. Com a abertura do sétimo selo o livro fica totalmente aberto. Isso significa que o tempo do fim chegou, pois foi dito a Daniel que ele deveria selar o livro até o tempo do fim (Dan 12:4,9). Isso significa que chegou o tempo em que muitos acontecimentos que foram anunciados profeticamente vão se cumprir. Em vista disso, surge no céu um silêncio mortal. É a calmaria antes da tempestade se desencadear, um silêncio em que tudo e todos prendem a respiração diante dos acontecimentos seguintes. A menção de “cerca de meia hora” parece ser uma indicação simbólica de um tempo muito curto. Provavelmente é o tempo em que acontece o que João vê nos versos 2-4. Nos versos seguintes são executados os primeiros juízos das trombetas.

Possivelmente o silêncio de meia hora mostra também algo da misericórdia de Deus. Deus é tardio em irar-se, Ele não gosta de julgar, é para Ele uma obra estranha (Isa 28:21; Lam 3:33). Os juízos sob o sexto selo não levaram ao arrependimento. Então ainda se espera meia hora. Se não se perceber nenhum sinal de reflexão, Deus precisa passar a agir. Então os juízos das trombetas se desencadeiam.

V2. Enquanto no céu provavelmente reina um silêncio mortal, nesse silêncio são feitos os preparativos para os juízos das trombetas. João vê os sete anjos que estão diante de Deus. Isso parece indicar que se trata de sete anjos especiais (os sete anjos), que estão numa posição especialmente privilegiada (diante de Deus). Esses sete anjos com suas sete trombetas formam juntos o juízo do sétimo selo. Cada um deles recebe uma trombeta. Ninguém além do Senhor Jesus lhes deu essas trombetas. O fato de se falar em trombetas significa que Deus fala em alta voz por meio dos juízos. Os juízos serão executados ao tocar cada trombeta. Uma trombeta que é tocada exige atenção.

V3. Então vem outro anjo. Novamente não é outro senão o Senhor Jesus (Apo 10:1; Apo 18:1, pois só Ele pode dar poder às orações dos santos. Ele se coloca junto ao altar. Um altar é um lugar de sacrifício, onde são oferecidos sacrifícios a Deus. No final deste verso está que é um altar de ouro e que está diante do trono. O lugar do sacrifício traz a marca da glória divina. O sacrifício oferecido a Deus aqui não é um sacrifício sangrento, mas consiste nas orações de todos os santos. Sobre as orações se diz que são comparadas ao incenso (Slm 141:2). Toda oração sincera é agradável a Deus e será ouvida por Ele.

Porque se trata das orações de todos os santos, é bonito pensar que nesse momento são ouvidas as orações que subiram durante todo o tempo por parte de todos os crentes. Aqui se trata das orações dos crentes que não pertencem à Igreja. Isso também se percebe porque essas orações não estão ligadas ao trono da graça, mas ao trono do juízo. No tempo da grande tribulação os santos clamam ao “Deus das vinganças” e Lhe pedem que intervenha (Slm 94:1). Eles Lhe pedem para julgar os ímpios, para que eles mesmos sejam salvos. Isso é mais uma prova de que a Igreja naquela época já não estará mais na terra, pois a nós é dito para orar pelos que nos perseguem, e abençoá-los e não amaldiçoá-los (Mat 5:44; Atos 7:60.

Cada oração só recebe seu valor diante de Deus porque o Senhor Jesus tem um incensário de ouro, com muito incenso. Para que isso serve é explicado imediatamente: “... para acrescentar às orações de todos os santos”. Ninguém além dEle pode dar poder às orações dos santos (cf. Apo 5:8). Ele é o verdadeiro Sumo Sacerdote. Tudo o que você apresenta a Deus só é aceitável por meio dEle (Heb 13:15; 1Ped 2:5). O incenso é figura das glórias pessoais do Senhor Jesus, como foram manifestas em Sua vida na terra e em Sua morte na cruz. Se você pensar principalmente na oração, você lê dEle que toda a Sua vida na terra foi “oração” (Slm 109:4b). Sua vida foi também por isso um cheiro suave para Deus.

V4. Tudo o que o Senhor Jesus como homem é diante de Deus sobe junto com as orações dos santos até Deus. Aqui está dito de forma tão característica: “... subiu ... da mão do anjo diante de Deus”. Assim a ligação estreita do Senhor Jesus com as orações dos santos é expressa melhor do que se o incenso subisse do altar.

V5. Depois que o incensário fica vazio e as orações alcançam seu alvo, ele o enche com o fogo do altar e o lança sobre a terra. Com esse ato o Senhor Jesus dá, por assim dizer, o sinal de largada para os juízos. Quando o fogo é lançado sobre a terra, isso será acompanhado por manifestações impressionantes. Os trovões não são um ressoar distante, mas trovões apavorantes e ensurdecedores que fazem tudo tremer. As “vozes” deixam claro que Deus fala por meio dos juízos. Os “relâmpagos” deixam tudo claro como o dia e ofuscam os olhos. Um “terremoto” faz com que o chão desapareça debaixo dos pés e se perca todo o apoio.

O fogo é tirado do altar do holocausto, onde queima ininterruptamente. O altar do holocausto é o lugar onde o holocausto é consumido pelo fogo em favor daqueles que por meio dele são reconciliados e santificados. Mas o mesmo fogo também é usado para consumir os que não têm parte no holocausto. O fato de o fogo primeiro ser colocado no incensário indica que os juízos seguintes são uma resposta às orações dos santos. Tudo isso é linguagem simbólica para ilustrar a execução dos juízos.

V6. Agora é a vez dos anjos executarem sua missão. Eles se preparam para tocar as trombetas que lhes foram dadas. Uma trombeta anuncia o juízo e ao mesmo tempo é um sinal de alerta para que as pessoas fujam do juízo anunciado (Eze 33:2-4). A queda e conquista de Jericó também foram precedidas pelo som de trombetas (Jos 6:4). Assim também é com os juízos e a tomada de posse da terra.

Pode-se também aqui - como em outros casos - dividir o número sete em quatro e três. Assim como os primeiros quatro selos formavam uma unidade, também acontece com as primeiras quatro trombetas. Todas as quatro têm relação com a criação, dividida nas quatro grandes áreas (cf. Apo 14:6,7): terra, mar, rios e fontes de águas, e finalmente sol, lua e estrelas. E ainda assim não atinge o mundo todo, pois aqui se fala sempre do “terço”.

V7. Quando o primeiro anjo toca a trombeta, é lançado sobre a terra saraiva e fogo misturados com sangue. Saraiva é um juízo que vem do céu (Apo 11:19; Apo 16:21; Êxo 9:23,24; Isa 28:2; Eze 38:22). Fogo é o juízo consumidor de Deus (Apo 20:10; Luc 16:24). Sangue, separado do corpo, fala de morte (Apo 16:3). Saraiva misturada com sangue significa que os juízos resultam em morte.

O fogo faz sua obra e consome o mundo ali onde ainda há certa ordem por meio de um governo (terra). Poderes arrogantes (árvores Dan 4:20-22) são consumidos, assim como todo bem-estar (erva Isa 15:6). “Erva” é figura tanto de Israel (Isa 40:7) quanto de toda a humanidade (1Ped 1:24). A menção da erva “verde” parece sublinhar que atinge os homens em sua prosperidade.Três vezes neste verso se fala em “queimar”. É uma palavra que significa “queimar completamente”. Trata-se de algo ser queimado até o fundamento. Embora eu dê preferência a uma explicação simbólica desta trombeta, não se pode excluir que esse juízo tenha que ser tomado literalmente. Parece-me possível, em cada juízo das trombetas, pensar num juízo literal. Fico feliz em deixar com você para refletir mais sobre isso, sem, porém, deixar sua imaginação correr solta. Isso vale naturalmente também para mim. Por isso você deve ler com tanto mais atenção o que eu lhe mostro como uma possível explicação.

Como já foi dito, a expressão “o terço da terra” significa que os juízos atingem uma área específica e não a terra inteira. Há muito que indica que com o “terço” se refere à cristandade nominal, a falsa cristandade, o que pode muito bem ser o restabelecido Império Romano ou a Europa unida (Apo 12:4). Penso isso porque nessa parte do mundo a luz do Evangelho brilhou mais intensamente. Por isso a responsabilidade das pessoas que vivem aqui é maior que a de outras pessoas. E Deus começa o juízo sempre por aqueles que têm maior responsabilidade (cf. 1Ped 4:17; Lev 10:3).

Leia novamente Apocalipse 8:1-7.

Pergunta ou tarefa: Em que consiste o poder que o anjo dá às orações dos santos?

8 - 13 O segundo ao quinto juízo das trombetas

8 E o segundo anjo tocou a trombeta; e foi lançada no mar uma coisa como um grande monte ardendo em fogo, e tornou-se em sangue a terça parte do mar. 9 E morreu a terça parte das criaturas que tinham vida no mar; e perdeu-se a terça parte das naus. 10 E o terceiro anjo tocou a trombeta, e caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha, e caiu sobre a terça parte dos rios e sobre as fontes das águas. 11 E o nome da estrela era Absinto, e a terça parte das águas tornou-se em absinto, e muitos homens morreram das águas, porque se tornaram amargas. 12 E o quarto anjo tocou a trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas, para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite. 13 E olhei e ouvi um anjo voar pelo meio do céu, dizendo com grande voz: Ai! Ai! Ai dos que habitam sobre a terra, por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que hão de ainda tocar!

V8. Quando o segundo anjo toca a trombeta, algo como uma grande montanha ardendo em fogo é lançada ao mar. Depois da terra, também o mar fica sob juízo. O mar é figura do mundo desordenado (Isa 17:12; Isa 57:20), isto é, de países onde - ao contrário da terra no (verso 7) - reina revolução e anarquia. Grandes potências naufragam nele, enquanto outras potências surgem dele.

A grande montanha, ou pelo menos algo que a lembra, é símbolo de uma potência mundial forte (Jer 51:25; Isa 2:2; Dan 2:35; cf. Slm 46:3). Não é o restabelecido Império Romano, pois ele não afunda no mar das nações, mas surge dele (Apo 13:1). Alguns intérpretes pensam nos Estados Unidos. Essa grande potência queima no fogo. Ela é atingida pela ira de Deus.

V9. A queda dessa grande potência ardente semeia morte e destruição no meio do terço das nações. O terço dos habitantes dessas nações morre. A queda dessa grande potência provoca também a destruição do terço dos navios. Isso pode significar que partes do comércio e da comunicação ficam paralisadas, de modo que, por exemplo, já não é possível que suprimentos de ajuda sejam entregues de países mais distantes.

V10. Quando o terceiro anjo toca a trombeta, cai do céu uma grande estrela. Como nas duas primeiras trombetas, também aqui se fala de queimar. Não se trata tanto de um fogo que destrói, mas de uma tocha ardente. O efeito é parecido com o das trombetas anteriores, pois também aqui muitos morrem (verso 11). Mas há também uma diferença: A morte não é causada pelo fogo, mas pelo amargor que essa estrela provoca. A estrela simboliza um governante que deveria espalhar luz celestial (Apo 1:20). Pode-se pensar numa pessoa com grande autoridade ou num sistema de poder eclesiástico, possivelmente alguém ou algo para o qual as pessoas olham esperando que de lá venha liderança religiosa para o mundo ocidental. Essa estrela não é lançada como nos versos anteriores, mas cai do céu (ver Isa 14:12). Ela arde como uma tocha e é, portanto, uma imitação dos sete Espíritos de Deus (Apo 4:5). Isso leva ao pensamento de que com essa estrela se trata de um poder espiritual. O Espírito de Deus espalha a verdade; essa estrela espalha mentiras e perdição, doutrinas de demônios (1Tim 4:1).

A estrela cai sobre o terço dos rios e sobre as fontes das águas. Rios são figura da vida normal de um povo, caracterizada por certos princípios. Fontes de água são mais as influências que estão na base desses princípios. Na simbologia dessa descrição pode-se dizer que essa estrela causa corrupção nas fontes espirituais, em vez de dar luz celestial que traz cura.

Depois que nas trombetas anteriores foram atingidas as duas áreas em que a vida acontece (terra e mar), agora são atingidas as fontes da vida, que determinam a qualidade da vida. Você reconhece isso, por exemplo, ao olhar para o casamento e a família. Casamento e família foram dados por Deus como uma fonte de felicidade. Quando são separados de Deus, tornam-se uma fonte de desgraça. Dito de outra forma: O ventre materno é uma fonte de vida, mas separado de Deus mata-se a vida ali e o transforma no lugar onde mais se mata. Isso torna a vida amarga.

V11. Absinto significa amargor (Pro 5:4). É isso que esse governante causa àqueles que estão em sua área. Todos que pensam poder se refrescar nele descobrirão que beberam morte. A água não é apenas amarga, ela se revela também venenosa. O morrer não é a morte física, mas a morte moral, isto é: já não existe mais nenhuma ligação com aquilo que Deus deu de bom na criação. Por isso já não se pode mais desfrutar de tudo isso. A vida se torna completamente amargura e ressentimento. Como crente você também deve tomar cuidado para não se tornar amargo por algum motivo (Heb 12:15). O ressentimento sufoca a vida em você mesmo e nos outros.

V12. Os juízos das trombetas vão tirando das pessoas passo a passo a vida e as entregam aos poderes e forças da morte. O quarto anjo toca a trombeta. Por isso são atingidos os corpos celestes que foram designados para dar luz sobre a terra (Gên 1:14-19). Por meio da punição desse juízo a luz é tirada. Com isso também é atingida uma fonte de vida, pois sem luz a vida não pode crescer e prosperar.

Do sol e da lua é dito que governam (Gên 1:16). As estrelas servem para orientação. Esses corpos celestes apontam para todo o sistema de governo em todas as suas ordens, da mais alta autoridade até as formas mais baixas. Esses portadores de luz, ou seja, portadores de autoridade em diferentes níveis, são em parte “um terço” envoltos em trevas. Isso tira deles toda a orientação que deveriam dar, tanto de dia quanto de noite.

V13. Depois que a quarta trombeta soou, João vê e ouve uma águia no meio do céu. A águia é símbolo da rapidez com que o juízo é executado. Ela vê sua presa de longe e se lança sobre ela com grande velocidade. A águia voa no meio do céu, para que todos na terra possam vê-la e ouvi-la. Ela anuncia os três juízos restantes das trombetas.

Por causa da severidade dessas três trombetas, a águia dá um triplo “ai”. Esse triplo “ai” corresponde à quinta, à sexta e à sétima trombeta. Por isso as três últimas trombetas também formam uma unidade. Esses três juízos das últimas trombetas, ou ais, não atingem tanto as circunstâncias em que as pessoas se encontram, como até agora vinha acontecendo, mas mais as próprias pessoas e, portanto, já não são juízos indiretos.

Dessas pessoas é dito que “habitam na terra”. Essa expressão em Apocalipse sempre se refere àqueles que se sentem em casa na terra e vivem só para ela. Para eles não existe outra coisa. Deus não tem lugar em seu pensamento e em sua vida. Por isso eles serão julgados junto com a terra, que amam tanto e com a qual ligaram seu destino. Os crentes não “habitam” na terra, mas são ali estrangeiros.

Os juízos que se seguem são terríveis, sendo que os do terceiro “ai”, que contém as sete taças, são os piores. O primeiro “ai” atinge os judeus não selados, o segundo “ai” atinge a cristandade sem Cristo.

Leia novamente Apocalipse 8:8-13.

Pergunta ou tarefa: O que de tudo é atingido pelos juízos nesta seção?

Continue lendo em Apocalipse 9

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© Tradução bíblica usada: JFAC; publicada em 1848; domínio público

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