1 - 3 Satanás lançado no abismo
1 E vi descer do céu um anjo que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. 2 Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. 3 E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.
V1. Os grandes capangas de Satanás – a besta e o falso profeta – foram presos e lançados no inferno. O líder deles, Satanás, ainda andava livre, mas ele também será preso. Isso acontece por meio de um anjo que desce do céu. Como Satanás foi lançado na terra (Apo 12:9), é necessário que um anjo desça do céu para prendê-lo. Esse anjo tem a chave do abismo consigo, para fechar o abismo assim que Satanás for lançado ali dentro. No capítulo 9 (Apo 9:1,2) a chave foi usada para abrir o abismo e soltar os demônios de lá. Depois também a besta sobe do abismo (Apo 11:7; 17:8). O anjo tem na mão, além da chave, uma grande corrente. O que ele fará com ela é dito no verso seguinte.
V2. Esse é um momento histórico. Já houve vários momentos históricos, mas este é um acontecimento especialmente memorável. O anjo prende aquele que é a causa de toda a miséria dos homens, por ter trazido o pecado ao mundo. Depois o anjo o prende com a corrente que traz consigo, de modo que Satanás não pode mais se mover por mil anos. Toda possibilidade de enganar as pessoas com a sua astúcia e arrastá-las para a perdição lhe é tirada. Ele não é mais o príncipe do mundo e o deus deste século. O seu domínio sobre o homem acabou.
O fato de ele, como pessoa, ser preso e encerrado com sua designação quádrupla (o dragão, a antiga serpente, o diabo e Satanás), mostra que ele, com todas as suas diferentes maldades, é encerrado e não pode mais se manifestar de forma alguma. Com o juízo sobre Satanás, estão concluídos os juízos que dão início ao Reino de Paz de Cristo. Agora Cristo pode exercer por mil anos o seu governo abençoado de paz e justiça para o homem e para a criação. O número mil, que aparece seis vezes nos (versos 2-7) e em nenhum outro lugar da Escritura, indica a duração do reino messiânico, cuja duração de outra forma não saberíamos. Daí o termo “Reino Milenial” ou “Milênio” (do latim).
Aqui os quatro nomes do grande sedutor e adversário de Deus são usados pela segunda vez (Apo 12:9). Como o Diabo ele é o tentador, o sedutor dos homens. Como Satanás ele é o adversário de Deus. É chamado de dragão por causa do seu comportamento abominável, violento e implacável. Também é chamado de antiga serpente. Isso aponta para o caráter traiçoeiro e astuto desse monstro, que se enrola em torno da sua presa para sufocá-la e devorá-la. Essas duas marcas – violência e mentira – são as principais características do pecado.
V3. Satanás é poderoso, mas não onipotente. Ele também não é mais poderoso do que o anjo que aqui vem a ele na autoridade de Deus, o prende e o lança no abismo. Não se fala de uma luta, como aconteceu quando ele foi lançado do céu para a terra (Apo 12:7).
O anjo age de forma completa. Depois de lançar Satanás no abismo, ele fecha o abismo sobre ele. Para Satanás não há então mais nenhuma ligação com o mundo acima dele. Para maior segurança o anjo sela a tampa. Satanás não pode então exercer nenhuma influência corruptora sobre os homens. As nações aqui são os habitantes desses países, pois os seus exércitos pereceram em Armagedom. As ovelhas dessas nações entram no Reino de Paz (Mat 25:32-34).
Será um tempo de paz e segurança sem precedentes, embora o coração do homem continue o mesmo, como se verá quando Satanás for solto por um pouco de tempo. A justiça então reinará na terra, mas ainda não habitará nela. Isso só acontecerá no estado eterno (2Ped 3:13), quando o pecado do mundo for tirado (Joã 1:29).
No Reino de Paz ainda se poderá pecar, e se pecará, mas sobre isso será exercido juízo imediatamente (Slm 101:8; Isa 65:11,20; Sof 3:5). Aqueles que nascerem no Reino de Paz e no final do Reino não forem nascidos de novo, esses se rebelarão contra Deus. A maldade do seu coração será revelada quando Satanás for solto. Tendo isso em vista, isso precisa acontecer. Esse precisa é uma necessidade divina. Isso acontece depois disto, e nenhum dia antes. Acontece por “um pouco de tempo”, o que significa que ele só poderá agir enquanto Deus determinar.
É incompreensível que muitos achem que Satanás já está preso agora e não engana mais as nações. Existem, porém, anjos que já estão presos com correntes (2Ped 2:4; Jud 1:6), mas isso é outra coisa completamente diferente.
Leia novamente Apocalipse 20:1-3.
Pergunta ou tarefa: Por que Satanás é preso por mil anos?
4 - 9 Mil anos de paz e a última rebelião
4 E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos. 5 Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. 6 Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos. 7 E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão 8 e sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. 9 E subiram sobre a largura da terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu e os devorou.
V4. Nos (versos 4-6) é descrito o próprio Reino de Paz. Duas vezes se fala de reinar com Cristo. Ou seja, o próprio Cristo reina. Isso é descrito aqui de forma extremamente breve e a partir de Apocalipse 21:9 será tratado com detalhes. O Antigo Testamento está cheio de detalhes sobre esse Reino. Que se trata de reinar é visto no final do verso e também nos tronos que João vê. Ele vê também que “eles”, que são os vinte e quatro anciãos, estão sentados nesses tronos. Daniel também viu tronos, mas não viu ninguém sentado neles (Dan 7:9). João vê como àqueles que estão sentados nos tronos é entregue o juízo, ou seja, eles recebem poder de governo.
Os tronos que João vê estão na terra, porque Cristo reina na terra, onde também está o seu trono. Antes você já viu tronos nos quais os vinte e quatro anciãos estavam sentados, mas ali eles estavam no céu (Apo 4:4). Aqui eles estão na terra, e se assentam para reinar com Cristo por mil anos. Ele havia prometido isso aos seus discípulos em conexão com as doze tribos de Israel (Mat 19:28; Luc 22:30). E Paulo diz aos crentes da Igreja que eles julgarão o mundo (1Cor 6:2). Os vinte e quatro anciãos representam os crentes do Antigo Testamento e do Novo Testamento.
Então João vê ainda dois outros grupos de crentes. Esses dois grupos são os crentes que, depois do arrebatamento da Igreja, chegaram à fé e morreram como mártires por causa da sua fé. O segundo grupo consiste de crentes que foram mortos antes da grande tribulação; são as almas debaixo do altar Apo 6:9. Por causa do seu testemunho que deram do Senhor Jesus e por causa da sua fidelidade à Palavra de Deus, eles foram decapitados.
Quando clamaram por vingança, foi-lhes dito que descansassem, até que também o outro grupo, mencionado aqui, fosse morto (Apo 6:10,11). Esse terceiro grupo seria morto durante a grande tribulação. Eles sofreram da parte da besta, mas não se prostraram diante dela nem diante da sua imagem. Isso lhes custou a vida, mas agora recebem a recompensa.
Ambos os grupos foram mortos pelos seus inimigos, que pensaram que assim se livrariam dessas testemunhas do odiado Jesus. Assim também pensaram os inimigos do Senhor Jesus, quando Ele estava morto na cruz, que haviam se livrado dEle. Mas assim como o Senhor Jesus ressuscitou, também esses mártires ressuscitarão. Ressuscitar significa ressuscitar corporalmente. É o reviver de mortos. Só depois desse reviver se fala de reinar com Cristo. Essa é mais uma prova de que no momento atual não se pode falar de um Reino Milenial de Paz em que Cristo reina e do qual todos os que estão ligados a Ele participam.
Eles viveram e reinaram. O homem agora chega à sua verdadeira vocação, pois já em Gênesis 1 (Gên 1:26) foi destinado a dominar sobre a criação, e em Gênesis (2 Gên 2:7) recebeu vida de Deus. Mas pelo seu pecado o homem perdeu ambos. Por meio de Cristo ele recebe de volta o que perdeu, e de forma mais gloriosa. Eles reinam, de fato, com Cristo, e isso como santos ressuscitados, portanto não como súditos. Fidelidade a Deus nunca levará à perda de alguma bênção, mas justamente ao desfrute mais rico dessa bênção, mais rico do que jamais poderíamos desfrutar na terra (Rom 8:18; 2Cor 4:17).
Aqui todos os que uma vez foram humilhados serão exaltados no tempo devido (1Ped 5:6). Todos eles uma vez se levantaram do seu próprio trono e se prostraram diante de Deus e agora podem sentar-se no seu trono, um trono que lhes foi dado.
V5. Os restantes dos mortos são os incrédulos, pois todos os mortos crentes ressuscitaram. Os incrédulos não ressuscitarão no início do Reino de Paz, mas permanecerão no reino dos mortos, no Hades, o lugar de tormento (Luc 16:23). A partir do momento em que o Senhor Jesus reina, nenhum crente mais morrerá (cf. Isa 65:22). Com a ressurreição dos crentes no verso anterior, a primeira ressurreição está concluída.
A primeira ressurreição ocorre em fases: primeiro Cristo, depois os que são de Cristo na sua vinda (1Cor 15:23). Também a vinda de Cristo ocorre em fases. Ele vem primeiro para levar a Igreja para junto de si nas nuvens (1Tes 4:15-18). Nessa ocasião os crentes adormecidos são ressuscitados e os crentes vivos são transformados. Em seguida acontecem as bodas do Cordeiro, como vimos no capítulo 19 (Apo 19:7). Depois o Senhor Jesus vem pela segunda vez do céu, desta vez junto com a Igreja e com os outros crentes, para destruir os seus inimigos e estabelecer o seu Reino. Esse é o momento em que os mártires do verso anterior ressuscitam, para também participarem do governo de Cristo. Então a primeira ressurreição está concluída.
Os incrédulos só ressuscitarão depois do Reino de Paz. Eles serão então julgados diante do grande trono branco, onde estarão apenas incrédulos. Embora o corpo dos incrédulos seja vivificado, o espírito continua espiritualmente morto. Com esse corpo eles sofrerão eternamente a segunda morte no inferno. Eles estão como mortos diante do grande trono branco.
Há, portanto, duas ressurreições: uma ressurreição dos justos, que é a primeira ressurreição, e uma ressurreição dos injustos (Luc 14:14; Atos 24:15). Entre essas duas ressurreições há um período de mil anos. João chama-as no seu evangelho de ressurreição da vida e ressurreição da condenação (Joã 5:29).
V6. É um privilégio extraordinário participar da primeira ressurreição. Quem participa dela está totalmente seguro do poder da segunda morte, o inferno. A primeira morte diz respeito ao corpo e é temporária, a segunda morte diz respeito ao corpo e é eterna. Morte e vida são, a propósito, termos que você precisa ler no seu contexto para entender o significado. Assim você pode encontrar passagens onde dos mortos corporalmente se diz que vivem (Mat 22:32), e dos corporalmente vivos que estão mortos (Efé 2:1).
Todos os que participam da primeira ressurreição são sacerdotes de Deus e de Cristo. Eles distribuem, em nome de Deus e de Cristo, a bênção sacerdotal à criação sobre a qual reinam com Cristo. Reinar significa literalmente: reinar como reis. Eles vêm do céu para serem sacerdotes na terra. Eles não são sacerdotes que representam os homens diante de Deus, mas sacerdotes que representam Deus diante dos homens. Nisso são semelhantes ao Senhor Jesus como Rei-Sacerdote (Zac 6:13; Gên 14:18).
V7. A palavra “acabando-se” não significa apenas que os mil anos passaram e “acabaram”, mas também que foram “cumpridos”, no sentido de que um objetivo determinado foi alcançado. A terra terá então tido o seu descanso sabático. Antes que a paz do Reino de Paz passe para a paz da eternidade, é indispensável que a humanidade seja submetida a uma última prova. Para isso acontece o que já foi anunciado no final do (verso 3), a saber, que Satanás precisa ser solto por um pouco de tempo.
V8. O caráter de Satanás não mudou durante os mil anos da sua permanência no abismo, assim como a natureza do homem não mudou. Satanás é irremediavelmente mau. Quando é solto, age imediatamente como sempre agiu. Sai por toda a terra, até aos quatro cantos da terra (cf. Isa 11:12; Eze 7:2), para enganar todas as nações. “Quatro cantos da terra” significa literalmente que as pessoas ali se encontram longe do centro da bênção, a saber, de Jerusalém.
A sedução por Satanás mostra também que a carne pecaminosa do homem, mesmo no maior grau de bênção concebível, não sofreu mudança. Muitos fingiram obediência ao Senhor Jesus (Slm 18:45; 66:3; Miq 7:17). Deram a aparência de que O reconheciam como Senhor, mas faziam isso apenas porque (com razão) tinham medo do juízo. Mas a carne continua sendo inimizade contra Deus (Rom 8:7), mesmo que hipocritamente se submeta. Ao homem, porém, é tirado um argumento: muitos sempre quiseram culpar Satanás. Disso agora não se pode mais falar. Mesmo sem o diabo o coração do homem não melhora.
O Gogue e Magogue que João menciona você não deve confundir com Gogue na terra de Magogue, mencionados por Ezequiel (Eze 38:2,3,14,16,18; 39:1,6,11). O exército de que Ezequiel fala vem do extremo norte e, quando o Senhor Jesus já estiver reinando em Jerusalém, marchará contra Israel e será destruído. O Gogue mencionado por João vem de toda parte. João usa esse nome por causa das grandes semelhanças morais entre os dois ataques. Satanás tem grande sucesso no recrutamento do seu exército. Ele levanta um exército imenso, que não se pode contar.
V9. Sob a influência de Satanás, esse imenso exército sobe sobre a largura da terra. O alvo deles é o arraial dos santos e Jerusalém, aqui chamada “a cidade amada” (Slm 78:68; 87:2), o centro da terra. A cidade amada é ao mesmo tempo o lugar onde os santos acampam, onde têm o seu repouso. Eles são distinguidos das nações que estão nos quatro cantos da terra.
Esse imenso exército é tão cego para o poder do Senhor Jesus quanto os exércitos que, antes do Reino de Paz, subiram contra Jerusalém (Apo 19:19,20). Deus envia do céu o seu fogo devorador, e não resta mais nenhum inimigo. A descrição dessa guerra é ainda mais curta do que a do capítulo anterior.
Leia novamente Apocalipse 20:4-9.
Pergunta ou tarefa: Quais grupos de pessoas poderão reinar com o Senhor Jesus?
10 - 15 O lago de fogo – o grande trono branco
10 E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre. 11 E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles. 12 E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. 13 E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. 14 E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. 15 E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.
V10. O diabo recebe um tratamento especial. Ele é o instigador da enorme rebelião, mas será a última vez que ele pôde fazer a sua obra diabólica. O seu destino eterno é o lago de fogo e enxofre, no qual é lançado. Com isso ele atinge o ponto mais baixo absoluto e imutável da sua queda, que se deu em quatro fases.
Primeiro ele caiu no pecado por causa do seu orgulho 1Tim 3:6. Como mentiroso e pai da mentira Joã 8:44 ele desde o início da criação realizou as suas seduções e fez a sua obra como assassino. Com isso ele ficou ocupado por milhares de anos. Você viu, porém, que num determinado momento ele é lançado na terra (Apo 12:9), onde com grande fúria semeia morte e destruição, porque sabe que lhe resta pouco tempo.
Depois de três anos e meio Deus põe fim à fúria de Satanás e o faz ser lançado no abismo, para que ali fique preso por mil anos (Apo 20:1-3). De lá ele é solto por pouco tempo, para finalmente experimentar a sua queda definitiva e ser lançado no inferno, que foi preparado para ele e para os seus anjos (Mat 25:41). Lá ele encontra os seus dois vassalos, que já haviam sido lançados ali antes dele (Apo 19:20). Eles não estarão em condições de se ajudar mutuamente, mas terão o suficiente com as suas próprias dores e tormentos, que são a sua parte sem fim.
V11. Os rebeldes vencidos permanecerão apenas pouco tempo no reino dos mortos, pois imediatamente depois que o fogo de Deus os consumir, segue o juízo diante do grande trono branco. Que o fogo de Deus os consuma não significa, portanto, o fim da sua existência.
João vê um grande trono branco. É um trono grande porque Aquele que nele se assenta possui grande majestade e grande autoridade. É um trono branco porque Aquele que nele se assenta é perfeitamente puro. O seu trono como símbolo do seu governo e a sua pessoa estão em perfeita harmonia. O Juiz é totalmente puro no seu juízo. Ele julga com perfeita justiça. No seu julgamento não há um único elemento impuro. Ele é incorruptível. Qualquer prova da sua confiabilidade na terra resultou em testemunho da sua perfeita honestidade.
Contra a sentença que Ele profere e executa nada se pode apresentar. Ele convencerá a cada um que comparecer diante do seu trono da justiça da sua sentença, e cada um concordará. Toda boca que agora ainda se abre arrogantemente contra o céu, então será tapada. O branco puro do trono é o reflexo da glória de Deus, que é luz e no qual não há trevas nenhumas (1Joã 1:5).
Na Bíblia fala-se de três sessões de juízo que o Senhor Jesus realizará:
A primeira acontece no céu, logo após o arrebatamento dos crentes. Quando os crentes estiverem no céu, primeiro comparecerão diante do tribunal de Cristo e de Deus (2Cor 5:10; Rom 14:10). Lá será mostrado a cada crente o que ele fez durante a sua vida na terra no corpo. Ele verá se o fez para o Senhor ou para si mesmo. Pelo que for bom ele receberá recompensa.
A segunda sessão de juízo acontecerá quando o Senhor Jesus voltar com os crentes à terra, para julgar o mal e estabelecer o Reino de Paz (Mat 25:31). Diante desse tribunal comparecem as nações que vivem na terra. Elas serão julgadas de acordo com a atitude que tiveram durante a grande tribulação para com os mensageiros do Senhor.
A terceira sessão de juízo acontece quando o tempo passa para a eternidade. Diante do grande trono branco comparecem apenas incrédulos. Eles serão julgados de acordo com o que está escrito nos livros a respeito deles.
Quando chegar o momento dessa terceira sessão de juízo, o céu e a terra fogem. Isso diz respeito ao antigo céu e à antiga terra. Com essa sessão de juízo e o juízo relacionado a ela, o estado antigo chegou ao seu fim. O antigo céu e a antiga terra fogem, para dar lugar ao novo céu e à nova terra. Eles não fogem tanto diante do trono, mas diante da face dAquele que nele se assenta. No trono está sentado o Senhor Jesus, que, como Filho do Homem, recebeu do Pai todo o juízo (Joã 5:22,27; cf. 2Tim 4:1).
V12. João vê os mortos. São “os outros mortos” (do verso 5). Eles não estão na terra, pois ela já passou. Mas mesmo que a terra tenha desaparecido – o homem continua existindo, para prestar contas a Deus de todas as suas ações rebeldes e receber o salário merecido. Pelo poder do Todo-Poderoso eles estão diante do trono.
João vê mortos grandes e pequenos. Isso tem menos a ver com a estatura corporal do que com a dimensão das maldades que cometeram. Ali há assassinos em massa, mas também pequenos ladrões. Ali estão os políticos arrogantes, que diziam grandes palavras, mas também o pai de família discreto, que cuidava honestamente da sua família. Eles têm, porém, uma coisa em comum: nunca se condenaram como pecadores à luz de Deus e todos morreram nos seus pecados. Seja em que medida fossem pecadores, o juízo será justo.
As provas em que se baseia a sua condenação estão nos livros. Todas as suas obras lhes serão trazidas novamente à memória. A gravidade da sua sentença será determinada pela gravidade das suas maldades e pela medida da sua responsabilidade (Luc 12:47,48). Ninguém dará uma contrarresposta. Todos ficarão convencidos de que Deus é justo nos seus juízos. Outra prova convincente da sua condenação é o fato de que os seus nomes não estão no Livro da Vida. Uma coisa e outra significa que com razão serão lançados no inferno.
V13. Os mortos são chamados dos lugares para onde foram após a morte. Em primeiro lugar é mencionado o mar. Ele terá que devolver todos os mortos que engoliu como um grande monstro. O mar é visto numa mesma linha com a “morte” e o “Hades”. Também deles se diz que devolveram os mortos que neles havia. Quando alguém morre, está corporalmente morto. Nesse caso não é decisivo se o corpo morto está na terra ou no mar. O mar como local de permanência de mortos é aqui certamente mencionado porque um corpo que recebeu sepultura no mar é impossível de encontrar. Embora também os corpos de pessoas que na terra, por exemplo, foram despedaçados por animais selvagens sejam igualmente impossíveis de encontrar. Trata-se, porém, do princípio geral.
Os mortos saem da morte e do Hades. Pode-se dizer que a morte é o estado em que o homem se encontra, e o Hades é o lugar onde o homem se encontra. O corpo, que estava na morte, é unido à alma, que estava no Hades (que é o reino dos mortos), e ao espírito. Deus sabe ressuscitar cada morto e levá-lo a juízo. Cada convocação para comparecer é acompanhada do seu braço poderoso.
Embora se diga que eles viveram (Apo 20:5), eles são chamados “os mortos”. Eles não têm vida de Deus, não há nenhuma relação com o Deus vivo. Quando nasceram, receberam a sua vida de Deus. Mas decidiram viver a sua própria vida, sem se sentir responsáveis diante de Deus, que lhes deu a vida. Isso levou a que já estivessem mortos quando ainda viviam na terra, porque viviam em ofensas e pecados, sem uma ligação com o Deus vivo (Efé 2:1; Col 2:13; Joã 5:25). Depois de serem novamente vivificados, nada mudou no seu estado espiritual. Eles estão como mortos diante do grande trono branco, para ali serem “julgados cada um segundo as suas obras”.
Cada morto será julgado segundo as suas obras. Isso significa que bebês que morrem, e crianças que morrem no ventre da mãe ou são assassinadas, não comparecerão como mortos diante do grande trono branco. Eles ainda não puderam fazer obras pelas quais precisem ser julgados. Todos os que morrem no ventre da mãe ou como bebê estarão eternamente com Ele no céu, com base na obra do Senhor Jesus.
V14. Então você vê o resultado final da obra de Cristo e da sua ressurreição, pela qual Ele venceu a morte. Agora o último inimigo é destruído (1Cor 15:26; Apo 21:4). Aqui a morte encontra o seu fim, como já foi predito no Antigo Testamento (Isa 25:8; Osé 13:14). Após esse último juízo não haverá mais morte corporal, e o lugar onde as almas dos mortos permaneciam não existirá mais.
A morte e o Hades são aqui representados como pessoas que são lançadas no inferno. No inferno todo o mal e todos os que praticaram o mal estarão para sempre encerrados. Essa é a segunda morte. A primeira morte foi a morte corporal e a permanência no reino dos mortos. A segunda morte é a permanência corporal do homem sem vida de Deus, e isso no lugar onde o juízo de Deus reina para sempre.
V15. Agora se mostra por que o Livro da Vida teve que ser aberto no (verso 12). As suas más obras estavam registradas em outros livros (verso 12b). Depois disso eles são julgados. As suas obras nunca foram riscadas, porque rejeitaram o sacrifício de Cristo pelos pecados. Por isso o seu nome nunca foi inscrito no Livro da Vida. Com isso está dada a prova convincente. A sorte que lhes cabe é terrível e assustadora. Isso deveria ser motivo para nós, que conhecemos o temor do Senhor, persuadirmos as pessoas a aceitarem o evangelho (2Cor 5:11)!
Leia novamente Apocalipse 20:10-15.
Pergunta ou tarefa: Onde está o grande trono branco? Quem está assentado nele como Juiz? Quem está diante dele? Qual é o juízo deles?